OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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Enquanto essa coluna é fechada (dia 18/12/25), transcorrem discussões relevantes sobre o Acordo Mercosul/União Europeia (UE). Ao menos, um sinal verde foi dado, por meio de negociação entre a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu, no sentido de negociar salvaguardas comerciais aos produtores europeus, que protestam ativamente em Bruxelas. O mecanismo travaria preferências tarifárias em caso de danos aos produtores europeus. O acordo já vem sendo discutido por longos anos e seu objetivo central seria a criação de uma das mais substanciais zonas econômicas, com projeção gradual de tarifas, abrindo espaço também para outros temas como: compras públicas, propriedade intelectual e discussões voltadas à sustentabilidade. Países importantes fazem uma frente contrária ao acordo (mesmo com as salvaguardas no horizonte), França, Itália, Polônia e mais alguns países formam um bloco contrário consistente, dificultando a ratificação integral do acordo, impondo limites, entre outras questões. O compromisso das salvaguardas atuaria com uma espécie de gatilho de importação na margem de 8%, em itens sensíveis como carne bovina, aves e açúcar. A fiscalização também aumentaria substancialmente.

Benefícios

Para o Mercosul (que não passa por uma revisão tarifária há tempos, em um estado inercial, com as mudanças de governos), o bloco ganharia uma abertura competitiva no mercado europeu e previsibilidade regulatória. Em um momento de fragmentação da economia global, seria um passo importante. Para a UE, haveria mais diversificação em insumos para bens industriais e menor dependência de outros países em situação vulnerável ou conflitiva. 

Hemisfério Ocidental

Na medida em que Washington anuncia sua nova Estratégia de Segurança Nacional, com o objetivo de aumentar a influência nas Américas, inclusive fazendo críticas à Europa, a estratégia vai mudar também as parcerias comerciais. Se o acordo se tornar um ato de autonomia econômica europeia, Trump provavelmente vai pressionar e reagir politicamente, no passo em que perderia espaço para negociações com os países do Mercosul, perdendo alavancagem econômica na América Latina. Isso poderia gerar uma nova rodada de imposições tarifárias aos países do Mercosul, entre outras medidas.

O Acordo

O Acordo Mercosul/UE precisa ser ratificado por todos os países no parlamento europeu, o primeiro passo é a assinatura, depois a ratificação (o processo mais complexo) e na sequência, a internalização em ambos os blocos/países. A ideia geral trabalha com um horizonte gradual de reduções tarifárias em 15 anos. Com a eventual ratificação, a UE seria como uma vitrine aos produtos brasileiros, inclusive para adentrar em outros mercados, como Reino Unido e até mesmo o Canadá. De outro lado, Trump faria um movimento de reancoragem geoeconômica, provavelmente com acordos setoriais (minerais críticos, energia etc.), ou até mesmo, se o Acordo for ratificado [mesmo havendo risco considerável de não o ser], a questão poderia ressuscitar uma ALCA 2.0, ou seja, um acordo de livre comércio nas Américas, mas este cenário, pela conjuntura atual, seria improvável [senão um avanço em áreas prioritárias]. Em resumo, o acordo para o Brasil representa desafios e oportunidades. O desafio seria a relação geoeconômica com os EUA, a partir do foco da nova estratégia americana. A oportunidade é a vitrine europeia e ganhos de competitividade.

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