OPINIÃO

Teclando - 07/01/2026

Aqui e acolá

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Aqui e acolá

Enquanto o divisor de águas é praticamente intransponível, estamos em duas esferas com pensamentos distintos onde predomina o antagonismo. Nessa birra a lógica se vai para as cucuias. De parte a parte, as reações desconexas ficam ainda mais evidentes quando relacionadas ao que ocorre aqui e acolá. Uma ocupação de área, que por aqui é tratada como invasão de propriedade, quando ocorre no chiqueiro alheio é aplaudida com normalidade. No quintal do vizinho pode. E se fosse no nosso lado da cerca, também poderia?

Já quando o tema é ditadura as duas esferas se perdem no tempo. Outrora combatentes da ditadura por aqui, agora fazem vistas grossas para a de acolá. Já os ferrenhos defensores de uma ditadura por aqui, agora gritam em tom de pavor sobre uma ditadura acolá. Isso vai além de um antagonismo político ou de um salutar debate de ideias. É um comportamento doentio e sem a mínima coerência. Há, indiscutivelmente, um radicalismo que enxerga guampas em cabeça de cavalo.

O perigoso nessa situação é a irracionalidade plantada, regada e adubada sistematicamente pelas redes sociais. Ora, isso é doentio. A questão é que, com febre alta, a cognição desaparece e os neurônios não percebem mais a realidade. Então, desprovidas da lógica, algumas pessoas assumem a condição de personagens de um enredo alheio aqui e acolá. Esquecem-se de seu quintal aqui, de seus limites, seus direitos de cidadania e sua própria e inegociável soberania.

A percepção da realidade é induzida e conduz a devaneios contrários à lógica. Até acreditam que na prospecção de petróleo os geólogos foram substituídos por soldados, pois acham normais as perfurações feitas com metralhadoras. Parece-me que, aqui e acolá, vigora a ode à prepotência. A cortina de fumaça bélica oculta a indução à subserviência por aqui ao que vem de acolá. Aplaudir a pólvora, é curvar-se à prepotência e abrir novas valas para os corpos. É um grande perigo para todas as esferas. O que a humanidade quer é a harmonia. Aqui e acolá.

Rótulos

Tudo é rotulado pelo poder, não importa a esfera. Há em comum a prepotência, a arrogância e o desprezo pela nossa razoabilidade. Pior, um desrespeito ao ser humano. Parece que já vivemos um novo período da humanidade, que seria a “Era do Falso Eufemismo”. Os rótulos tapam sujeiras, escondem a verdade, enganam os ingênuos e ocultam a maldade. Sim, basta observar os termos utilizados de forma repetitiva nas mais distintas situações. Por exemplo, os verbos capturar, suprimir, desafetar, salvaguardar, desonerar e tantos outros têm grande utilização inapropriada. Essas palavrinhas, aparentemente inocentes, são os rótulos que nos enfiam goela abaixo.

Zé Tendeu

Feriados de final de ano e tivemos duas semanas anormais. A anormalidade também mudou a programação do Batatas, que abriu nas segundas e terças-feiras. A grande novidade foi no final de semana, quando Zé Tendeu teve excepcional folga. Sim, o Batatas sem o Zé! Mas, a turma mandou bem no Menor Palco do Mundo© e na copa.

Remeleixo

Há um mês, Neucir Rebelatto, que todos conhecem como Remeleixo, insistiu em ficar na calçada do Borga, na General Netto, de frente para o Boqueirão. O resultado foi uma sequência de mais de duas semanas com chuva e mais chuva. Agora, ele viajou. Resultado: sol e tempo bom! E tem quem ainda não acredita nos poderes do Boqueirão.

Calendário

Estou perdido no tempo, procurando datas e saltando números. Sem meu tradicional Calendário da Caixa eu não sou ninguém. SOS, Caixa!

Centenário

Em 2026, O Nacional completa 101 anos. Eu atinjo a marca de 70 de respiração e, ainda, 50 de imprensa. Ora, não é um sorriso forçado, tipo do Gato de Cheshire em Alice no País das Maravilhas, que pode desrespeitar esses números.

Pastelaria

Até parecia que a situação iria melhorar, mas novos odores foram introduzidos ao cardápio do fedor que vem da pastelaria aqui embaixo.

Trilha sonora

Roberta Flack - Killing Me Softly With His Song


 

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