A festa do Batismo de Jesus encerra o tempo litúrgico do Natal, tempo onde
fizemos memória do nascimento de Jesus, a presença junto à sua família e a visita dos
Magos. Agora encontramos Jesus adulto indo ao encontro de João Batista para receber o
batismo (Isaías, Salmo 28, Atos 10,34-38, Mateus 3,13-17). O batismo de Jesus nos leva
a refletir sobre nosso batismo.
Quando falamos de batismo, em primeiro lugar trazemos presente a vida da
pessoa a ser batizada. Cada vida é única, desejada pelos pais e goza de uma dignidade
inviolável. Cada ser humano, por natureza, é um dom e um ser sagrado. Depois, esta
vida é agraciada com o Mistério da Vida Divina que Deus doa às criaturas mediante o
renascimento pela água e o Espírito Santo. É a graça batismal.
Na condição humana temos a experiência da vida, mas também da morte. Todas
as criaturas vivas tem o seu início e o seu findar. No batismo o ser humano recebe a
vida nova, a vida da Graça, que o torna capaz de uma relação pessoal com Deus e isto
para sempre, nesta vida e para toda a eternidade. Infelizmente, nós humanos podemos
sufocar a vida natural e espiritual, gerando a morte. Diante da fragilidade humana, Deus
nos estende a mão, vem ao nosso encontro e oferece meios para vivermos no caminho
da vida.
O evangelho relata o batismo de Jesus no rio Jordão. Um batismo muito
diferente do batismo cristão, mas que tem profunda relação com ele. No fundo, todo
Mistério de Cristo que veio morar entre nós pode resumir-se com a palavra “batismo”.
Jesus veio habitar, imergir na nossa realidade de pecadores, para nos tornar partícipes da
sua vida: encarnou-se, nasceu como nós, cresceu como nós, e quando adulto quis
receber o “batismo de conversão” dado por João Batista. O primeiro ato público de
Jesus foi descer ao Jordão, misturado entre os pecadores penitentes. “João protestou,
dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Jesus porém respondeu:
“Por enquanto deixa como está, porque devemos cumprir toda a justiça”.
Por que Deus Pai quis que Jesus fosse ao batismo de João? O motivo é que Deus
amou tanto o mundo que enviou seu Filho, não para condenar, mas para salvar. Ele é o
cordeiro de Deus que veio assumir o pecado do mundo. Ao sair do batismo, “o céu se
abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre. E do
céu veio uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.
Portanto, naquele momento foi revelado que Jesus é aquele que veio batizar a
humanidade com o Espírito Santo: veio trazer vida em abundância, a vida eterna, que
ressuscita o ser humano e o cura totalmente, corpo e espírito, restituindo-o ao projeto
originário para o qual foi criado. A missão de Jesus foi doar à humanidade a vida de
Deus, o seu espírito de amor. Quando alguém vai ao batismo sabe que a vida humana
invoca uma plenitude e uma salvação que só Deus pode dar. Desta forma, os pais
tornam-se colaboradores de Deus ao transmitir aos seus filhos não só a vida física mas
também a vida espiritual.
Cada vida humana, desde o primeiro momento, necessita de cuidados para
crescer e ter saúde. Do mesmo modo, a vida espiritual recebida no batismo requer
cuidados constantes para desenvolver as virtudes da fé, da esperança e da caridade. São
as virtudes teologais próprias de quem recebeu o batismo. O batizado tem necessidade
de conhecer, amar e servir a Deus para terem a vida eterna. A vela acesa entregue na
celebração do batismo é sinal da fé em Cristo luz do mundo. Se faz necessário alimentar
a chama da fé com a oração, a escuta e meditação da Palavra de Deus, da convivência
na comunidade e o alimento constante da Sagrada Eucaristia.
Louvado seja Deus pelo dom da vida. Louvado seja Deus pela graça batismal.
Dois dons que proporcionam vida em abundância e vida eterna.

