OPINIÃO

INTERNET E REDES SOCIAIS (1)

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Revolução Digital

Ao longo de sua trajetória, a humanidade atravessou grandes revoluções econômicas e tecnológicas que transformaram profundamente a produção, o trabalho e a organização social. Cada uma contribuiu para ampliar a qualidade e a expectativa de vida. Desde o fim do século passado, vivemos a chamada Revolução Digital, impulsionada pela informática, pela internet e pela automação. O avanço tecnológico trouxe ganhos expressivos: acesso instantâneo à informação, conectividade global, automação de tarefas e o surgimento de novos modelos de negócios. Mas o mesmo movimento que acelerou o desenvolvimento também impôs desafios. Entre eles, cresce a preocupação com o impacto do uso de celulares (smartphones) sobre crianças e jovens — um tema que vem mobilizando especialistas, educadores e famílias.

Internet

A internet surgiu em meio às tensões da Guerra Fria, desenvolvida pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos no final da década de 1960. Nos anos 1970, passou a conectar universidades e centros de pesquisa, ampliando o intercâmbio científico. O acesso público só se tornou possível em 1990, quando o físico britânico Tim Berners-Lee criou a Rede Mundial de Computadores (World Wide Web), marco que transformou definitivamente a comunicação humana. A partir daí, a internet expandiu-se com rapidez impressionante, ultrapassando fronteiras culturais e geográficas e consolidando-se como o principal meio de comunicação global. Estima-se que, hoje, mais de 5 bilhões de pessoas a utilizem para trabalho, estudo, lazer e interação social. No Brasil, sua chegada ocorreu em 1988, inicialmente restrita ao meio acadêmico, tornando-se pública e comercial a partir de 1994.

Redes Sociais

           O Facebook, o marco fundamental das redes sociais, foi lançado em 2004. Em 2007, com o lançamento do iPhone, surgiu a internet móvel, e a popularização das redes sociais ganhou um forte estímulo. A expansão vertiginosa das redes sociais se intensificou com o Instagram, em 2010, e o TikTok, em 2016. Com essas gigantescas redes sociais, os vídeos curtos – de 15 segundos a 3 minutos – passaram a viralizar, tornando o consumo de conteúdo mais rápido e mais viciante, com consequências preocupantes, como veremos mais adiante.

A tecnologia eletrônica é uma dádiva inestimável

           No livro “O Novo Iluminismo: em defesa da razão, da ciência e do humanismo”, Steven Pinker afirma que a tecnologia eletrônica, de modo geral, é uma dádiva inestimável para a proximidade humana. Um século atrás, quando membros de uma família se mudassem para uma cidade distante, era possível que seus parentes e amigos jamais voltassem a ouvir suas vozes ou ver seus rostos. “Netos cresciam sem que os avós sequer soubessem como eles eram. Casais separados por estudo, trabalho ou guerra reliam uma carta dezenas de vezes e caíam no desespero se a correspondência seguinte atrasasse, sem saber se o correio tinha perdido a carta ou a pessoa amada estava brava, era infiel ou tinha morrido.” As Marvelettes e os Beatles retrataram essa aflição na música “Please Mr. Postman” (1961). Hoje, o custo de uma conversa de longa distância é praticamente zero, e além de se ouvirem, os interlocutores podem se ver.

Um telefone, um computador e uma máquina fotográfica no bolso

Hoje, bilhões de pessoas carregam no bolso um aparelho que funciona ao mesmo tempo como telefone, computador e câmera. A fotografia barata permitiu que todos registrassem momentos importantes de suas vidas – algo impensável no passado, quando muitas pessoas guardavam as lembranças apenas na memória. Por isso, pessoas da minha geração, como eu, nem sabem como eram seus avós.

Acesso ampliado e democratizado à cultura

           Graças à internet, o acesso aos grandes produtos da mente humana foi amplamente democratizado. Hoje temos, na ponta dos dedos, quase todas as obras de nossa época e das anteriores. “E melhor ainda: o patrimônio cultural mundial está disponível não apenas para os ricos e bem-situados, mas para qualquer pessoa conectada à vasta rede de conhecimento — o que já inclui a maior parte da humanidade e, em breve, incluirá praticamente todos” (Pinker).

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