A economia do Rio Grande do Sul cresceu 3,3% no primeiro semestre de 2026, na comparação com os seis primeiros meses do ano passado. O principal responsável pelo resultado foi o desempenho da agropecuária, que registrou expansão de 19,7%. No mesmo período, a indústria cresceu 2% e os serviços tiveram alta de 1,1%.
Os dados integram o levantamento do Departamento de Economia e Estatística (DEE), em convênio com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os indicadores são divulgados trimestralmente após a publicação dos dados do PIB nacional.
No segundo trimestre do ano, entre abril e junho, o PIB gaúcho apresentou crescimento de 0,2% em relação ao primeiro trimestre, considerando a série com ajuste sazonal. O resultado ficou abaixo da expansão de 0,5% registrada pela economia brasileira no mesmo período.
Alta em um ano
Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, a economia gaúcha cresceu 5,7%. O desempenho ficou significativamente acima do resultado nacional, que apresentou alta de 2%.
A agropecuária foi novamente o principal destaque nessa comparação, com crescimento de 37,4%. A indústria avançou 1,8%, enquanto os serviços registraram alta de 1,1%. No acumulado de quatro trimestres, o PIB apresentou crescimento de 2,8%, acelerando em relação à alta de 0,5% registrada no trimestre anterior. O resultado também ficou acima do crescimento de 1,9% da economia brasileira no mesmo período.
Recuperação das lavouras
O desempenho da agropecuária está diretamente relacionado à recuperação da produção agrícola em relação a 2025, quando a estiagem prejudicou as lavouras gaúchas.
A soja, principal cultura do Estado e com parcela significativa da colheita concentrada no segundo trimestre, teve aumento de 34,4% na quantidade produzida, mesmo com redução de 1,3% na área plantada. O milho também apresentou resultado positivo, com crescimento de 21,8% na produção e de 16,1% na área cultivada.
Na contramão, o arroz apresentou retração de 10,2% na quantidade produzida, mantendo um desempenho mais fraco observado desde o início do ano.
Indústria de transformação
A indústria gaúcha cresceu 1,8% na comparação com o segundo trimestre de 2025. O resultado foi sustentado principalmente pela indústria de transformação, que avançou 3,2%. No resultado trimestral, frente aos três primeiros meses de 2026, a indústria teve crescimento de 0,2%.
Entre as 14 atividades analisadas, oito registraram crescimento. Os maiores avanços foram observados na fabricação de produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com alta de 25,1%; veículos automotores, reboques e carrocerias, com 24,4%; e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com crescimento de 22,9%.
Serviços aquecidos
O setor de serviços registrou crescimento de 1,1% na comparação com o segundo trimestre do ano passado. Todas as atividades apresentaram resultados positivos, com destaque para atividades imobiliárias, que cresceram 2,5%; serviços de informação, com alta de 1,9%; e comércio, que avançou 1,3%.
No comércio, oito das dez áreas avaliadas tiveram crescimento. Entre os destaques estão outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 14,8%; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com 3,2%.
Segundo semestre
Apesar do resultado positivo no primeiro semestre, a expectativa é de desaceleração da economia gaúcha ao longo da segunda metade do ano. A agropecuária deve continuar contribuindo para o crescimento, favorecida pela recuperação das safras em relação a 2025.
Já a indústria e as atividades mais dependentes de crédito devem continuar enfrentando os efeitos dos juros elevados. Nos serviços e no comércio, a expectativa é de perda gradual de parte dos fatores que sustentaram o consumo no primeiro semestre, como a geração de empregos e os estímulos à demanda.
A projeção é de crescimento de 2,3% para o PIB do Rio Grande do Sul em 2026, acima da estimativa de 1,8% para o Brasil.


