OPINIÃO

Teclando - 03/06/2026

A insanidade corrói a cidadania

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A insanidade corrói a cidadania

Na cidade ou no circo, vivemos sob a mesma lona. Do picadeiro às arquibancadas, respiramos a mesma atmosfera. A urbe é nosso coliseu, com risos, lágrimas, sangue e palhaçadas. Tantas semelhanças e uma grande diferença: separar o espetáculo da realidade.

Para encontrar a realidade, basta olhar para a cidade onde vivemos. Isso começa pelas pessoas, além de vitrines, luminosos, algumas árvores, muitos veículos e bastante concreto. Porém, há um perfil coletivo que nos cerca moldado pela cidadania. Como cidadãos, temos direitos e também deveres. Já que vivemos num mesmo lugar, moldamos esse espaço ao nosso comportamento. Isso vale para a limpeza em frente à casa de cada um, ou, ainda, para um pedacinho de papel atirado ao chão.

Nos finais de semana é comum encontrar garrafas quebradas pelas ruas. Fico triste ao ver caixas de papelão jogadas pelas calçadas, mesmo quando temos contêineres para lixo. Há semanas, observo uma loja que, quase diariamente, deixa enormes caixas de papelão escoradas num poste. Isso é a explícita falta de cidadania. Colocar obstáculos para pedestres no passeio público também. Olhe e escute: alto-falantes nas calçadas, carros na faixa de pedestres, nas paradas de ônibus ou em outros locais proibidos.

Acredito que a cidadania passa por uma corrosão provocada pela insanidade. A turma entrou na onda de fazer o que bem entende, desrespeitar normas e, especialmente, acreditar que a estupidez está na moda. É uma grossura explícita que pulverizaram para desestabilizar a percepção entre o certo e o errado, o legal e o ilegal. É a insanidade que permanece na atmosfera que nos envolve e oxida a cidadania.

Mas, com certeza, além dos ventos da falsa modernidade, a cidadania é despedaçada basicamente pela falta de educação.

Trocando figurinhas

No lançamento do anuário Gigante do Norte, em O Nacional, Gerson Lopes e eu tivemos a oportunidade de conversar com Taylor Aguiar, supervisor de eventos da Rede de Farmácias São João. O tema foi a Copa do Mundo. Não pelo futebol, mas pelas figurinhas e a tabela de jogos. A São João é revendedora do álbum de figurinhas. Segundo Taylor, as vendas são em números astronômicos. Então, comentamos que é algo que nunca sai de moda e a turma está por aí trocando figurinhas. Porém, a grande sacada do pessoal da São João é a velha e insubstituível tabela de jogos da Copa do Mundo. Tablets e smartphones que nos desculpem, mas nada supera uma tabela no papel para marcar resultados e acompanhar os próximos cruzamentos. Enfim, há hábitos que nunca saem de moda. Taylor, por gentileza, manda uma tabelinha para mim.

Educação

Semana passada, o prefeito Pedro Almeida não escondeu seu entusiasmo ao fazer importante anúncio: 14º e 15º salários para professores e profissionais da educação municipal de Passo Fundo. Pedro Almeida qualificou como “a grande notícia para a nossa educação”. Concordo. Todo investimento em educação merece aplausos. O que se investe financeiramente ou na valorização do ensino, nunca será demais. Professores felizes, crianças educadas com carinho. Assim, Passo Fundo faz jus ao título de cidade educadora. Como diria o Brizola, cara é a ignorância.

Candidato

Já há alguns meses, observo as postagens do ex-vereador Saul Spinelli nas redes sociais. Seguem numa sequência frenética e constância regular. A abrangência, então, é de 360º em abraço completo à sociedade passo-fundense. Ora, como estamos em ano eleitoral, logo imaginei sua volta às disputas eleitorais. Na semana passada, perguntei ao Saul se ele concorreria a deputado ou a prefeito? A resposta foi na tampa: “deputado, não!” Então, parece que já temos um nome alinhado para 2028.

Centenário

O Centenário de O Nacional foi há 349 dias e faltam apenas 16 dias para os 101 anos. Enquanto isso, a Casa do Engenheiro-chefe da Viação Férrea continua abandonada. Vergonha coletiva!

Pastelaria

Jamil Khoury, quando não está viajando, viaja. Leu a coluna anterior na Europa e mandou mensagem. “Aqui na Ilha de Capri chegou o cheiro do pastel”. A fama do fedor da pastelaria aqui embaixo já atravessa o Oceano Atlântico.

Trilha sonora

Paul McCartney - As You Lie There 


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