OPINIÃO

Por que o Pix incomoda tanto?

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O que começou como uma ferramenta de conveniência doméstica transformou-se em um tema de guerra geopolítico e econômico. O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, consolidou sua posição não apenas como um fenômeno de inclusão financeira, mas também como uma força disruptiva capaz de desafiar o monopólio de gigantes globais e atrair a atenção de potências estrangeiras. Recentemente, o Pix entrou na mira do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A eficiência do sistema brasileiro ao possibilitar transferências instantâneas, gratuitas e sem intermediários, começou a respingar no faturamento de grandes companhias globais, majoritariamente americanas, que dominam o setor de cartões de crédito e taxas de transação. O Pix não necessita de vinculação aos cartões de crédito das grandes operadoras como Visa, Mastercard e American Express, dentre outras. Mas o incômodo vai além do corte nos lucros. Há um forte embate ideológico e estratégico nos bastidores. Por ser uma infraestrutura pública desenvolvida pelo Estado, o Pix provou que o setor público pode ser tão ou mais eficiente que o privado na liderança tecnológica e, em segundo lugar, o sucesso brasileiro serve de modelo global, ameaçando as redes financeiras tradicionais que historicamente concentram o fluxo monetário mundial. A China está anunciando esta semana o ingresso no modelo Pix em várias áreas e o bloco econômico BRICs também opera com um sistema similar ao do Brasil. Enquanto isso, o PIX só cresce no Brasil. 

O PIX AUTOMÁTICO

O lançamento do Pix Automático, que completou um ano de operação, viabilizou a inclusão de 64% dos usuários da ferramenta que nunca tinham assinado um serviço digital antes, segundo dados da processadora de pagamentos EBANX. Estima-se que cerca de 60 milhões de brasileiros não tem acesso à cartão de crédito. Marcas globais como Amazon Prime, Canva, Hotmart e Nord Security, além de infraestruturas internacionais de pagamento como Stripe, Spreedly e Zuora, já aderiram ao sistema. Outro detalhe importante dos dados da EBANX é que esse crescimento de adesão ao Pix Automático ocorre não apenas na Geração Z, mas consumidores mais velhos também ingressaram no sistema. Segundo o Banco Central do Brasil, quase 80% das transações (quatro em cada cinco) são realizadas por usuários com 30 anos ou mais. A faixa etária que lidera o uso do débito recorrente via Pix é a de 40 a 49 anos, responsável por 24% do total de operações. Este novo cenário confirma que o Pix não é apenas um substituto das transações por DOC e TED, mas sim uma plataforma econômica que dá nova estrutura ao capitalismo financeiro global.

Multas do Free Flow no RS

O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que já cancelou cerca de 692 mil multas por evasão de pedágio no sistema Free Flow (fluxo livre). Os pontos correspondentes das Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) também já foram excluídos. Porém, o sistema de devolução das multas pagas ainda está em estudo e deverá ser implantado somente no dia 16 de novembro, segundo avaliação do DAER. Um detalhe importante é o direito de anulação da infração e, consequentemente, ao futuro reembolso, o qual exige que o motorista quite antes a tarifa do pedágio.

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