Envolvido com a política local, Paulo Pires concorreu a vereador na eleição de 1963, pelo MTR, logrando 515 votos e ficando na suplência. O prefeito eleito foi o empresário Mário Menegaz. Paulo Pires assumiu a Secretaria de Administração da Prefeitura e, como suplente, também chegou a ocupar a cadeira de vereador. Lutou pela criação de vagas nos estabelecimentos públicos de ensino, que estavam represadas (e conseguiu lograr êxito, com a criação de 500 novas vagas no G. E. Protásio Alves). Em função de discurso contrário à apreensão da edição de O NACIONAL de 27 e março de 1965 e a prisão do jornalista João Freitas, que irritou o Major Grei Belles, comandante da guarnição local do Exército, sob a acusação de comunistoide nas páginas do Diário da Manhã, foi pressionado a renunciar ao cargo na administração municipal. Assumiu a gerência da Rádio Municipal e a direção do Hospital Municipal. Marcou época na Rádio Municipal, com a transmissão ao vivo do Concurso Miss Brasil 1968, direto do Maracanzinho, com Passo Fundo sendo representado por Elizabeth Finardi.
No pleito de 1968, desta feita pela ARENA, Paulo Pires foi eleito vereador com 934 votos. Para surpresa, nomes que, até então, antes da implementação do bipartidarismo, com MDB (oposição) e ARENA (situação), eram ligados ao PTB e depois ao MTR, como Augusto Trein, Romeu Martinelli e o próprio Paulo Pires, para desespero dos situacionistas raiz, caso de Anildo Sarturi, que, no seu livro de memórias faz críticas fortes ao acontecido, migrarmm para a ARENA. Começava a pavimentação do caminho da ida de Paulo Pires para Porto Alegre.
Uma vez formado em Direito, sócio em escritório de advocacia privado e com forte atuação na política local, Paulo Pires, desta feita no lado da situação, casado com a Sra. Dorimar Trevisan, vai para Porto Alegre onde, sob auspícios dos deputados Augusto Trein, Fernando Gonçalves e Victor Faccioni, assumiu a coordenação da bancada da ARENA na Assembleia Legislativa. A partir de 1974 passa a ocupar a chefia do Gabinete do Vice-Governador Amaral de Souza. E com a ascenção de Amaral de Souza a governador do Estado, 1979 a 1983, integrou a equipe de organização do governo e virou titular de uma Secretaria Especial. Concorreu a deputado estadual nas eleições de 1978 e 1982, mas, apesar de ter obtido votações expressivas, não foi eleito. Em1980 deixou o cargo de Secretário Especial e assumiu como diretor de operações da METROPLAN. Em 1982 prestou concurso para Procurador do Estado e foi nomeado em 1986. Passou por São Borja, Passo Fundo e encerrou a carreira, com a aposentadoria em 1993, em Porto Alegre. Voltou atuar na iniciativa privada, com escritório especializado em Direito administrativo e tributário, sendo encarregado pelos sócios, em função das habilidades em oratória (a voz novamente em destaque), para fazer sustentações orais nos tribunais.
E, com o jubilamento, veio a fase do fotógrafo (a câmera, a imagem) e do viajante, que renderam os premiados livros Fora de Rota, de 2009, e Ainda Fora de Rota, de 2016. Ainda, escreveu a biografia do ex-deputado federal e ex-prefeito de Taquara, Dr. Alceu Martins, que, aos 80 anos e com problemas de saúde, recorreu à pena de Paulo Pires para “passar a limpo” os episódios que resultaram na criação das Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT), resultando no livro “Alceu Martins – Uma História de Persistência”, publicado em 2015.
Radicado de vez em Porto Alegre, Paulo Pires, ao lado dos familiares que venera, a esposa Dorimar; os filhos Fabricio, Fabiola e Cassiano; os netos Pietro, Ennzo, Larissa e Isadora; com a parceria da Daniela, do Alexandre, da Cintia e do Rafael, vive a plenitude do jubilamento.
Como trilha sonora da sua biografia, Paulo Pires escolheu, para a primeira fase de vida (infância), os versos de Guri, imortalizados na voz de César Passarinho, “...pra que digam quando eu passe: saiu igualzito ao pai!”; da adolescência, ... eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco...”. do Belchior; quando adulto, “...e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais...”, do Raul Seixas e Paulo Coelho; e para o pós-jubilamento, “... e agora, o fim está próximo...eu vivi uma vida completa, eu viajei por toda e qualquer estrada...eu fiz isso do meu jeito”, eternizados por Frank Sinatra.


