Montesquieu (1689-1755): o arquiteto das democracias modernas
Montesquieu foi um dos mais influentes pensadores da história política. Sua teoria da separação dos poderes continua sendo um dos fundamentos essenciais do constitucionalismo. Na sua grande obra, “O Espírito das Leis”, ele escreveu: “A experiência eterna mostra que todo homem que tem poder é tentado a abusar dele”. E como não existe nenhuma força maior do que o poder político em uma sociedade, é preciso que, “pela disposição das coisas, o poder freie o poder”. A ideia é simples e clara: é preciso dividir o poder político. Daí a tripartição do poder político em legislativo, executivo e judiciário.
A boa república depende da virtude dos cidadãos
O velho e sábio Montesquieu nos legou outra grande lição sempre confirmada pela história: o fundamento de uma boa república, antes mesmo das boas leis e instituições, é a virtude dos cidadãos. Sem ela, as leis se tornam letra morta. Se os cidadãos não têm virtude, a sociedade degenera em corrupção, em facções, em busca de privilégios, clientelismo etc. A virtude republicana e democrática não é uma qualidade abstrata. Ela existe na vida prática, no cotidiano social e político, nos gestos concretos que mantêm viva a liberdade. Por isso, o hino gaúcho proclama que povo que não tem virtude acaba por ser escravo.
Adam Smith e a importância da conduta moral
Adam Smith, fundador da economia moderna, reconheceu com nitidez o papel da moralidade no progresso das nações. Apesar disso, interpretações ditas neoliberais frequentemente distorcem seu pensamento, reduzindo-o a um suposto defensor irrestrito do individualismo e da livre iniciativa como bases exclusivas de uma boa sociedade. Smith não era apenas um entusiasta do mercado, que chamou de “sistema da liberdade natural”, mas um pensador atento à dimensão ética da vida social. Para ele, a convivência humana exige virtudes como prudência, justiça e benevolência, sem as quais nenhuma ordem econômica pode produzir verdadeira prosperidade.
Admiração excessiva pelos ricos e poderosos e desprezo pelos humildes
Smith não era um economista, mas um filósofo preocupado com a moralidade. Lecionou Filosofia Moral durante 13 anos na Universidade de Glasgow, anos que ele descreveu como “os anos mais honrados e felizes de toda sua vida”. Ele vinculava o bem-estar econômico com o cumprimento consciente de normas sociais e morais. No livro “Teoria dos Sentimentos Morais”, ele alertou para o que chamou de “corrupção dos sentimentos morais”, provocada pela “tendência a admirar, e quase adorar os ricos e os poderosos, e a desprezar, ou ao menos desdenhar, as pessoas de condição humilde”.
A riqueza como meio, não como fim: o humanismo de Adam Smith
Alfred Marshall (1842–1924), um dos economistas mais influentes da história, disse que “Adam Smith seria a última pessoa no mundo a pensar que a riqueza é o objetivo da vida humana, a última pessoa a supor que os ideais de uma vida elevada devessem ser subordinados ao crescimento da riqueza material por qualquer indivíduo ou nação que se respeita.”
A pobreza é uma ferida moral e econômica
Para Adam Smith, a pobreza não se resume à falta de renda: ela compromete a dignidade, a autonomia, a capacidade de agir moralmente e a participação plena na vida social. Por isso afirmou que “nenhuma sociedade pode ser florescente e feliz se a maior parte dos seus membros for pobre e miserável.” Ao contrário do que muitos pensam, Smith não defendia um “Estado mínimo”. Ele apoiava um Estado capaz de promover o bem comum, garantir justiça e criar condições para que todos pudessem desenvolver suas capacidades. No Brasil, país marcado por elevada pobreza e desigualdade, Smith provavelmente veria como essenciais políticas públicas de ampliação da educação básica e instituições voltadas à proteção dos mais pobres e vulneráveis, pois sem essas bases não há prosperidade duradoura nem verdadeira liberdade.

