A manhã dessa segunda-feira (24) foi marcada por grande comoção no Cemitério dos Ribeiros, onde familiares e amigos se despediram de Greice Keli Marquês, de 38 anos. Ela foi morta a facadas na noite de sábado (22), no Centro de Passo Fundo, quando caminhava com a filha, a irmã e o sobrinho indo assistir à Cantata Natalina. Greice deixa duas filhas, uma, de 15 anos presenciou o crime, outra, de oito, estava aguardando a mãe na Av. Brasil para assistir o espetáculo.
O ataque
O agressor, um homem em situação de rua iniciou o ataque de forma repentina e sem anunciar assalto. Antes de ferir as mulheres, ele teria tentado atingir um motoboy que passava pela rua, mas não conseguiu. Logo depois, avançou em direção às vítimas que caminhavam acompanhadas das crianças.
A irmã de Greice, de 50 anos, foi atingida nas costas e no tronco, passou por cirurgia e permanece internada no Hospital São Vicente de Paulo. Outro motoboy que tentou ajudar também foi ferido no pescoço e no braço, mas recebeu alta na segunda-feira.
“Ela tentou defender as crianças”
A reportagem do jornal O Nacional conversou com Daiane Kely Marquês, sobrinha de Greice e da vítima que segue hospitalizada. Ela contou que as duas mulheres tentaram proteger os filhos no momento em que foram surpreendidas pelo agressor.
Segundo Daiane, as vítimas só perceberam que algo estava errado quando viram um motoboy trafegando na contramão. Ele fugia do autor do ataque. Em seguida, o homem avançou diretamente sobre as crianças, sem pedir dinheiro ou objetos pessoais. Greice se colocou na frente para defender a filha e o sobrinho. Ela foi esfaqueada várias vezes, sendo atingida fatalmente no peito. A outra vítima também foi esfaqueada ao tentar proteger as crianças.
Dayane relatou que a própria filha de Greice, de 15 anos, conseguiu parar um carro na rua, jogando-se na frente dos veículos para pedir socorro. “Ela estava com roupas nas mãos tentando estancar o sangue da mãe e da tia. Não sabia para quem socorrer primeiro”, disse a sobrinha. O motorista de uma caminhonete recolheu as duas mulheres e as crianças e as levou ao hospital.
A sobrinha contou ainda que a mulher que segue hospitalizada, agora consciente, lembrou-se de todos os detalhes do ataque e relatou à família o que ocorreu. As crianças não foram feridas.
A história de cuidado e laços familiares
Dayane também compartilhou quem era Greice, a vítima fatal. Cuidadora de idosos, ela trabalhava há muitos anos na mesma residência, onde era considerada parte da família, mantendo relação próxima com a idosa que assistia.
A sobrinha emocionou-se ao lembrar que Greice foi uma das principais responsáveis por ajudá-la desde a adolescência. Dayane ficou paraplégica aos 16 anos, após sobreviver a uma tentativa de homicídio, e desde então usa cadeira de rodas. “A Grace era meu porto seguro. Ajudou a me cuidar, sempre esteve conosco. Ela não deixou só duas filhas, deixou uma família inteira sem chão”, disse.
O Agressor
O homem que efetuou o ataque foi preso pela Brigada Militar e encaminhado ao Hospital de Clínicas, onde segue internado em estado grave. No fim da noite de domingo (23), a Justiça concedeu liberdade provisória ao suspeito, decisão que deverá ser reavaliada assim que ele deixar a UTI.
A Brigada Militar divulgou uma nota oficial após a libertação do suspeito. A BM enfatizou o histórico criminal extenso do agressor, marcado por crimes como roubos, furtos, tráfico, porte de arma branca, resistência e diversas fugas do sistema prisional. O texto ressalta ainda a preocupação institucional com a liberação do suspeito, descrevendo-o como um indivíduo que representa risco à sociedade. O documento assinado pelo tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, comandante do 3º RPMon de Passo Fundo.



