A integração entre as forças de segurança e o poder judiciário tem gerado resultados históricos no combate aos crimes de maior impacto social na região de abrangência da Delegacia Regional de Polícia Civil de Passo Fundo. É o que aponta o balanço do delegado regional Adroaldo Schenkel sobre o ano de 2025. O delegado celebrou reduções drásticas em indicadores como roubo de veículos e a ônibus, mas chamou a atenção para a tendência oposta e preocupante dos crimes digitais, especialmente o estelionato.
Os números apresentados são expressivos. O roubo de veículos, que em 2010 registrava 391 casos, foi encerrado em 2025 com apenas 14 ocorrências – uma queda superior a 96% em 15 anos. Situação semelhante ocorreu com os roubos a ônibus, que passaram de 320 em 2010 para apenas seis no ano passado. "Trabalhamos já nos últimos anos com redução dos principais indicadores, especialmente dos crimes de maior gravidade", afirmou Schenkel. "Os números têm se mostrado muito positivos nessa questão. São comemorados, sim, pelas polícias, e é com certeza resultado de muito trabalho, especialmente da integração entre os órgãos de segurança pública e também com a participação do Ministério Público e Judiciário".
Aumentam os golpes virtuais
Contudo, um dado segue na contramão das estatísticas positivas: o estelionato registrou um aumento de 13% em 2025 na comparação com 2024. Segundo o delegado, o fenômeno é nacional e foi potencializado pelo período pós-pandêmico, com a intensificação do uso da internet e redes sociais para compras e transações.
"Os criminosos vêem uma oportunidade nisso para também ganhar o seu dinheiro ilícito", explicou Schenkel. Ele detalhou que a "imensa maioria" dos mais de mil casos de estelionato registrados no ano passado na região tem origem virtual, chegando a aproximadamente 90% do total. As modalidades são variadas e se aproveitam das facilidades do ambiente digital: ofertas fantasiosas em redes sociais, falsos depósitos bancários, cheques sem fundo, simulações de transferências via PIX que não se concretizam e abertura remota de contas em bancos digitais para aplicar golpes. "O meio virtual hoje é responsável por, vou dizer assim, 90% do número de estelionatos", estimou o delegado.
Operações constantes e alertas
Schenkel ressaltou que as polícias têm atuado "incessantemente" no combate a esse tipo de crime. Apenas em 2025, operações semanais foram realizadas para prender estelionatários que, em muitos casos, atuam em outras regiões do país. "É importante nisso ressaltar sempre que as pessoas têm que ser orientadas. Nós temos que falar muito com nossos familiares sobre os estelionatos, as formas de estelionato, o cuidado que se tem que ter nas redes sociais para que esse número também venha a ser diminuído", alertou.
Sobre o conhecido "golpe do bilhete" – historicamente associado a grupos originários de Passo Fundo –, o delegado esclareceu que a incidência na cidade em si nunca foi muito alta. "Os grupos são de Passo Fundo e se originaram muitos grupos aqui e que aplicam o golpe pelo Brasil todo", disse, destacando que as operações policiais têm focado justamente em coibir a atuação desses criminosos que partem da região para agir em outras localidades.
O balanço de Schenkel traça um panorama de segurança pública com avanços significativos nos crimes tradicionais, mas que demanda atenção redobrada e novas estratégias para enfrentar os desafios impostos pela criminalidade digital, que encontra no anonimato e no alcance da internet um campo fértil para vitimar cada vez mais cidadãos.


