Entidades de Carazinho alegam problemas ambientais e sociais com construção de Cadeia Pública Feminina

Penitenciária deve ser construída às margens da BR 285 e terá capacidade para 286 vagas

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Carazinhenses pedem mudança de local para construção da nova penitenciária (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)Carazinhenses pedem mudança de local para construção da nova penitenciária (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)
Carazinhenses pedem mudança de local para construção da nova penitenciária (Foto: Luciano Breitkreitz/ON)
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Representantes de diversas entidades de Carazinho, contrários à construção da Cadeia Pública Feminina, às margens da BR 285, em Passo Fundo, quase divisa com o município vizinho, participaram de um protesto durante a manhã de hoje (05), no local da futura obra. A área foi cedida pelo governo do estado. 

Com faixas, cartazes e distribuição de folders para os motoristas que passavam pelo local, os manifestantes alegam que a construção naquele local trará impactos ambientais e sociais negativos para o município. Em relação ao meio ambiente, a alegação é de que o local fica próximo à nascente do rio da Várzea, responsável pelo abastecimento da cidade, e que a penitenciária pode afetar a qualidade da água. 

 Outro argumento é de que a construção pode incentivar a formação de vilas irregulares, sem estrutura sanitária, o que agravariam a questão ambiental. Além disso, segundo os manifestantes, existe a expectativa de aumento na demanda hospitalar do município, o risco de segurança para as pessoas que transitam pela BR 285, e o desperdício do dinheiro público, com deslocamento de colaboradores, audiências, e a entrada e saída de presos, dificultados pelos 35 quilômetros que separam a cidade de Passo Fundo até o local do presídio. 

Durante a manifestação, o prefeito de Carazinho, Milton Schimitz, destacou que a construção da Cadeia no local representa uma ameaça para Carazinho. “Não se pode construir de forma errada, pois isso representa um desperdício do dinheiro público, e o problema vai ficar para as dezenas de próximas gerações”, destacou. 

A vice-prefeita de Carazinho, Valéska Machado da SIlva Walber, enfatizou que os moradores e empresários estão lutando para que os erros que foram cometidos no começo deste projeto sejam corrigidos. “O presídio não pode ser construído junto à nossa nascente. Nós não tivemos um estudo social e ambiental e as gerações futuras vão nos cobrar sobre erros que foram cometidos”, disse ele. 

Já a presidente da OAB, subseção Carazinho, Sandra Muller, disse que nenhuma entidade é contra o presídio. “É visível a necessidade do grande problema que a população carcerária sofre, mas o que está sendo reivindicado é que ele não seja construído neste local, especialmente porque abriga a nascente do rio da Várzea.

Obra

A Cadeia terá uma área construída de 6.249,33 metros quadrados, com investimento superior a R$ 16 milhões, divididos entre os governos Federal e Estadual. A capacidade é de 286 vagas. Além do módulo das celas, o projeto inclui módulos de vivência, de revista,administrativo, módulo de saúde/tratamento penal, módulo de berçário, módulo polivalente (para visitas, com praça para crianças), módulo de triagem, educacional, de serviços (cozinha e lavanderia), portaria, guarda externa.

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