Indígenas protestam em frente ao prédio do MPF de Passo Fundo

Eles pedem segurança dentro da Reserva da Serrinha e alertam para risco de conflito

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Grupo de 40 pessoas aguardava audiência em frente ao MPF (Foto: Gerson Lopes/ON)Grupo de 40 pessoas aguardava audiência em frente ao MPF (Foto: Gerson Lopes/ON)
Grupo de 40 pessoas aguardava audiência em frente ao MPF (Foto: Gerson Lopes/ON)
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Um grupo de índios Kaingang da Reserva de Serrinha, no município de Ronda Alta, protestou na tarde desta sexta-feira, em frente ao prédio do Ministério Público Federal de Passo Fundo. Eles afirmam que estão sofrendo sérias ameaças por parte do cacique e pedem segurança dentro da aldeia. Há o risco de um conflito neste fim de semana, caso o integrante do Conselho dos Anciãos, Valdir Mig Carvalho, não cumpra a determinação do cacique. Ele recebeu ordens de deixar a Reserva, junto com a família, até às 4h deste sábado.

O ultimato foi dado em razão das contestações e denúncias feitas por Mig à conduta do cacique na Serrinha. “Não queremos a liderança. Queremos que todos os índios sejam beneficiados, não apenas o grupos deles. Lá tem uma cooperativa, gira dinheiro, mas o poder está na mão de um pequeno grupo. Mais de 50% das famílias que vivem na Reserva não têm dinheiro e nem um pedaço de terra para plantar”, afirma. “Estão sobrevivendo do artesanato, quem sabe fazer, e de pequenas hortas. As famílias estão sofrendo muito com essa situação”, diz.

Segundo Mig, o acordo estabelecido para a prestação de contas sobre a movimentação financeira dos negócios gerados na Serrinha, também não foi cumprido. Eles não aceitam esses questionamentos”, enfatiza. O grupo, de aproximadamente 40 pessoas, aguardava em frente ao prédio do MPF, para uma audiência.

Pedidos de Justiça

Entre os presentes no protesto, estava a índia Cleumir Alípio, irmã de Edilson de Paulo, uma das quatro pessoas mortas no incêndio da cadeia indígena, dentro da Serrinha, em abril deste ano. Além do pedido de segurança, ela também protestava por Justiça em relação ao caso. “O inquérito já foi concluído, mas está como homicídio culposo. Estamos aqui para dizer que a liderança colocou as quatro pessoas na cadeia. Onde estava a liderança, quando pegou fogo e nós gritava por socorro. Essas lideranças que colocaram as pessoas para morrerem queimadas lá, que venham ao júri. Eram todos jovens que tinham um futuro pela frente”, declarou. A intenção do grupo era retornar ainda nesta sexta-feira para Serrinha.

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