MEDICINA & SAÚDE - Hábitos para proteger a saúde ocular

Especialista orienta sobre os cuidados com a visão

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Astigmatismo, miopia e hipermetropia estão entre os problemas de visão mais comuns na população brasileira. A médica oftalmologista, que atua na Central de Consultas do Hospital de Clínicas, Dra. Aline Weiller dos Reis, que “as ametropias são alterações oculares que geralmente podem ser corrigidas com uso de óculos. A miopia e a hipermetropia têm como causa mais frequente alterações no comprimento axial do olho. Na miopia o olho tem um tamanho maior o que leva a dificuldade de foco, pois a imagem se forma antes de chegar à retina dificultando o foco principalmente para longe. Já na hipermetropia o tamanho é menor e imagem se forma apenas depois dificultando o foco principalmente para perto. É importante lembrar que quando a graduação é maior a miopia também dificulta o foco para perto e a hipermetropia para longe. O astigmatismo é mais relacionado a alterações na curvatura da córnea distorcendo a imagem e confundindo letras”.

 

Correções

Na maior parte dos casos, os erros refracionais são corrigidos com uso de óculos. Existem outras opções de tratamento como lentes de contato e até procedimentos cirúrgicos. Costuma-se aguardar a idade adulta e estabilização da refração para realizar cirurgias corretivas que são indicadas caso a caso, variando a técnica cirúrgica utilizada (laser ou implante de lentes de correção intraocular).


Acompanhamento

Os cuidados com a saúde ocular começam ainda na infância. “O primeiro exame oftalmológico deve ser realizado ao nascimento (o teste do olhinho). Quando não há patologias nesse exame inicial e o desenvolvimento visual não traz dúvidas à família é importante um exame oftalmológico por volta dos três anos de idade. A criança pode ter alguns erros refracionais que não geram queixas e a família pode não perceber. Nessa consulta certifica-se de eu os olhos têm desenvolvimento normal. Podemos corrigir assim os erros a tempo de um ótimo desenvolvimento visual que se completa entre oito e dez anos. A graduação de óculos ainda sofre alterações até na vida adulta. A frequência das consultas é então indicada pelo (a) oftalmologista. Na maior parte dos casos varia de um a dois anos”, esclarece Aline. “A consulta oftalmológica tem extrema importância em todas as fases da vida. Na infância, auxilia as informações para desenvolvimento completo da visão. Na adolescência e idade adulta, os cuidados principalmente por uso mais frequente da visão de perto e telas. A partir dos 40 anos, a prevenção de patologias como glaucoma. Já em idosos, o diagnóstico e tratamento precoce de degeneração da retina, catarata e doenças vasculares.” 


Óculos

Usar óculos corretamente, de acordo com a indicação oftalmológica, é importante para a qualidade de vida do paciente. “A importância de usar os óculos tem maior relação com a resolução das queixas como visão turva, fadiga e dor de cabeça. Normalmente ao não usar os óculos esses sintomas continuam e prejudicam a qualidade de vida do paciente. Com ou sem o uso dos óculos pode existir evolução no grau e necessidade de troca. Mesmo após o diagnóstico inicial as consultas de rotina devem ocorrer para acompanhamento adequado”.


Uso de telas

A mudança de hábitos de trabalho, estudo e lazer durante a pandemia tem influência na saúde da visão, conforme alerta a oftalmologista. “Algumas dicas são ainda mais importantes na atualidade pela mudança de hábitos após a pandemia de Covid-19. Primeiro, o cuidado com mais atenção às crianças. A Sociedade Brasileira de Pediatria disponibiliza em seu site um manual de cuidados relacionados ao uso de telas. De zero a dois anos as telas devem ser evitadas ao máximo. De dois aos cinco anos deve ser permitida uma hora de uso com intervalos. Acima de cinco anos e até mesmo na idade adulta deve-se respeitar os intervalos”.

 

Foco

Intercalar a visão para objetos próximos e mais distantes também ajuda a evitar desconfortos ao final do dia. “Os estudos mostram a importância de olhar para longe por 20 segundos a cada 20 minutos de uso da visão de perto. Isso ajuda o olho a renovar o filme lacrimal (ao piscar) e evita a miopia acomodativa (quando o grau de miopia aumenta ao final do dia por usar muito o foco de perto). Esse excesso de visão de perto gera desconforto ao final do dia. A visão fica turva para longe com dificuldade de foco, também pode haver queixa de dor na região dos olhos e hiperemia (olhos vermelhos)”.


Insônia 

Evitar o uso de telas durante a noite interfere também na qualidade do sono. “As telas que emitem luz azul pelo LED que também deve ser evitada à noite. Esse espectro da luz limita a produção de melatonina pelo organismo e dificulta o sono. Existem filtros disponíveis na configuração de tela da maior parte dos aparelhos de celular (night shift, filtro de luz azul, modo noturno) devem ser ativados ao entardecer. Outra possibilidade é a aplicação desses filtros nos óculos. Mesmo com filtros devemos trocar o foco de visão entre perto e longe a cada 20 minutos. Inclusive à noite. Por isso, é interessante ter uma luminária ligada à noite para podermos focar algum objeto distante. Os hábitos já estão mudando há algum tempo, porém com a pandemia e o distanciamento social o uso das telas tornou-se não apenas instrumento de lazer, mas também de trabalho e estudo com muito mais intensidade. Devemos ficar atentos e nos adaptar de forma saudável”, conclui a oftalmologista.


Dra. Aline Weiller dos Reis é médica oftalmologista na Central de Consultas do Hospital de Clínicas


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