MEDICINA & SAÚDE - A Covid-19 e os olhos

(*) Dra. Luciana Reginato

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· 2 min de leitura
Estudo inglês demonstrou que a sensação de olho seco e dor ocular podem ser sintomas prévios da infecção pelo coronavírus (Foto: Robert Wilkos – CCO)Estudo inglês demonstrou que a sensação de olho seco e dor ocular podem ser sintomas prévios da infecção pelo coronavírus (Foto: Robert Wilkos – CCO)
Estudo inglês demonstrou que a sensação de olho seco e dor ocular podem ser sintomas prévios da infecção pelo coronavírus (Foto: Robert Wilkos – CCO)
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Você sabia que a primeira manifestação da Covid-19 pode ser nos olhos?

As manifestações oculares descritas em pacientes infectados pelo novo coronavírus são muito variáveis, podendo incluir olho seco, conjuntivite, embaçamento visual, prurido ocular, nódulos retinianos, sensação de corpo estranho e fotofobia. Hoje já temos informações confiáveis de que o coronavírus pode ser encontrado nos tecidos oculares e na própria lágrima em cerca de 50% dos infectados ou com infecção recente pelo Covid-19, sendo que a carga viral elevada nesses locais está muito relacionada aos pacientes com quadros graves.

Apesar de não ser muito comum, os olhos ainda são pontos passíveis de infeção e contaminação pelo Covid-19, por isso os cuidados como uso de óculos de proteção, lavar sempre as mãos e evitar o contato com o rosto e olhos é indicada para prevenção da doença.


Sintoma ocular

Em janeiro deste ano foi publicado um artigo reunindo publicações sobre manifestações oculares na Journal of Ophtalmic & Vision Research. Neste estudo, foi relatada que aproximadamente 1 em cada 10 pessoas infectadas pela Covid-19 apresentaram algum sintoma ocular. Destes casos, a conjuntivite foi a manifestação mais frequente (88,8%). Outro estudo inglês também demonstrou que a sensação de olho seco, e dor ocular também podem ser sintomas prévios da infecção pelo coronavírus. A lágrima serve como uma proteção para os olhos, impedindo a entrada de vírus e bactérias, dessa forma, um olho seco, sem o tratamento adequado favorece o risco de contágio. Além disso, o desconforto ocular pode levar o paciente a esfregar e tocar mais frequentemente os olhos, aumentando a chance de contaminação e de disseminação da doença.


Lesões graves

Dados recentes também apontam que o novo coronavírus é responsável por lesões vasculares graves na retina de até 20% dos pacientes com quadros graves de Covid, podendo levar à perdas irreversíveis de visão. Essas lesões são marcadores de gravidade, e são relacionadas a complicações neurológicas descritas nos pacientes pós Covid. Atualmente com os pacientes tendo um maior cuidado de não tocar nos olhos, e também com uso de álcool e medidas de contato, as outras causas de conjuntivite virais e bacterianas tiveram uma diminuição dos casos, portanto, qualquer conjuntivite, ainda mais quando relacionada com outros sintomas compatíveis com a Covid, devem levantar a hipótese da doença. Os sintomas oculares podem ocorrer poucas horas ou dias antes do início dos demais sintomas da Covid. Em caso de sintomas de irritação ocular procure seu oftalmologista. Também é importante manter o acompanhamento de doenças prévias à pandemia e seu tratamento.

(*) Dra. Luciana Reginato é graduada em Medicina pela UFCSPA, com residência em Oftalmologia pela Santa Casa de Porto Alegre


(Foto – Larissa Marta-Andrômeda Comunicação)


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