A colheita do milho destinado à produção de silagem já está em andamento na região de Passo Fundo e movimenta o campo neste início de ano. A atividade, iniciada há cerca de dez dias, ocorre paralelamente ao desenvolvimento final das lavouras de milho-grão, que devem começar a ser colhidas a partir da segunda quinzena de fevereiro. Considerada estratégica para a pecuária, especialmente para o setor leiteiro e de corte, a silagem garante alimento ao rebanho durante os períodos de menor oferta de pastagens, principalmente no inverno.
Na região, o milho destinado à alimentação animal ocupa uma área estimada entre 30 mil e 35 mil hectares, conforme dados acompanhados pela Emater. O volume expressivo reforça a importância da cultura não apenas para a cadeia de grãos, mas também para a sustentação da atividade pecuária, que tem forte presença nos municípios do Planalto Médio. Enquanto isso, aproximadamente 70 mil hectares estão cultivados com milho-grão, voltados à comercialização e ao abastecimento da cadeia produtiva.
De acordo com o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, a colheita da silagem ocorre no momento adequado do ciclo da planta, quando o milho atinge o chamado estágio de grão pastoso. “Essa é a fase ideal para garantir qualidade nutricional e bom aproveitamento do material ensilado. É uma atividade que começa antes da colheita do grão seco e que exige planejamento, porque define a alimentação do gado ao longo de vários meses”, explica.
Milho-grão
No panorama geral das lavouras de milho-grão, a maior parte das áreas se encontra atualmente na fase de enchimento do grão, com bom desenvolvimento vegetativo. Apesar de um início de ciclo marcado por um período de estiagem, especialmente nas lavouras mais precoces, as chuvas registradas nas últimas semanas foram decisivas para a recuperação do potencial produtivo.
Segundo Adami, algumas áreas plantadas mais cedo chegaram a registrar perdas pontuais, estimadas entre 20% e 25%, em razão da falta de chuva durante a floração. No entanto, esse cenário não comprometeu o desempenho da safra como um todo. “A maior parte das lavouras entrou na fase de floração e espigamento já com a ocorrência das chuvas, o que favoreceu muito o desenvolvimento das plantas e melhorou o potencial produtivo. Hoje, a maioria está em enchimento de grão e em boas condições”, avalia o supervisor da Emater.
Ele destaca que a confirmação de mais uma ou duas chuvas bem distribuídas, com volumes entre 30 e 40 milímetros, nos próximos dias, é fundamental para consolidar uma boa produtividade, tanto para o milho quanto para a soja.
De acordo com Adami, a expectativa para a safra de milho na região de Passo Fundo é considerada positiva. Caso as condições climáticas se mantenham favoráveis nas próximas semanas, a produtividade deve ser semelhante ou até superior à registrada no ano passado, que já foi avaliada como uma boa safra.
O supervisor relata que a média regional tem ficado entre 8,5 mil e 9 mil quilos por hectare, o equivalente a cerca de 140 a 150 sacas por hectare, com algumas áreas apresentando potencial para alcançar entre 180 e 200 sacas.
Lavouras de soja
Conforme Adami, a soja, por sua vez, está em pleno desenvolvimento vegetativo na região. As variedades mais precoces já iniciaram a fase de floração, considerada crítica para a definição do rendimento final da cultura. Assim como o milho, a oleaginosa depende da regularidade das chuvas nos meses de janeiro e fevereiro para manter o bom potencial produtivo. “A soja tem um ciclo mais longo e ainda exige atenção por um período maior. Até o momento, o desenvolvimento é bom, mas é fundamental que as chuvas sigam regulares até pelo menos março”, ressalta Adami.
Conforme o supervisor regional, além de favorecer o crescimento das lavouras, o recente período de tempo firme também permitiu que os produtores realizassem tratos culturais importantes, como a aplicação preventiva de fungicidas. A sequência de dias chuvosos havia dificultado o acesso das máquinas às áreas cultivadas, atrasando algumas operações. “Esses dias de sol foram fundamentais para que o produtor pudesse entrar na lavoura e realizar os manejos necessários, especialmente para o controle de doenças”, afirma.


