A colheita da soja na região de Passo Fundo já está na fase final e já atinge cerca de 95% das áreas cultivadas. O percentual restante corresponde, principalmente, a lavouras tardias — muitas delas implantadas após a retirada do milho, em uma condição considerada fora do período ideal para a cultura.
De acordo com levantamento preliminar na região de Passo Fundo, a produtividade média deve ficar em torno de 57 sacas por hectare. Embora abaixo do potencial inicial, o resultado é avaliado como satisfatório diante das adversidades climáticas enfrentadas ao longo do ciclo.
Segundo o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, os números finais ainda estão em fase de consolidação, mas o cenário já permite uma análise mais precisa do desempenho da safra. “Ainda existem algumas áreas, algo em torno de 4% a 5%, que são lavouras bem tardias. Mas, no geral, já estamos com algo entre 95% e 97% colhido”, explica.
Impacto da estiagem
Um dos principais desafios da safra foi o período prolongado de estiagem, que se estendeu por cerca de 35 dias em fases importantes do desenvolvimento das lavouras. Na época, havia forte preocupação entre produtores e técnicos quanto a uma possível quebra significativa, que poderia chegar à metade da produção. No entanto, conforme destaca Adami, o impacto acabou sendo mais moderado. “A redução vai ocorrer, mas não dentro daquilo que se previa. A média histórica da região gira entre 63 e 65 sacas por hectare, e devemos fechar agora entre 55 e 57. Ou seja, uma perda em torno de 15%, o que é bem menor do que se temia naquele momento mais crítico”, pontua.
Ele ressalta ainda que a situação variou bastante entre os municípios. Em algumas localidades, as perdas foram mais acentuadas, enquanto em outras o desempenho foi melhor, o que contribuiu para equilibrar a média regional.
Apesar da redução na produtividade, a avaliação geral é de que a safra pode ser considerada boa. “Não foi uma safra excepcional, mas foi uma safra boa, razoável, principalmente se levarmos em conta o cenário que se desenhava durante a estiagem. Chegou-se a falar em quebra de até 50%, mas isso não se confirmou”, destaca o gerente.
Fatores como chuvas esparsas ao longo do período seco e condições específicas de manejo contribuíram para amenizar os impactos mais severos nas lavouras.
Relatório final será divulgado nas próximas semanas
O fechamento oficial dos dados da safra, com os números consolidados de produtividade em todo o Rio Grande do Sul, deve ocorrer entre 15 e 20 dias. O processo envolve a coleta de informações diretamente com produtores, cooperativas e escritórios regionais, seguida da análise e validação por parte da equipe técnica da Emater. “Após a conclusão da colheita, os produtores fazem a apuração dos dados e encaminham para o sistema. A partir disso, ocorre o fechamento final por região e também no âmbito estadual”, explica Adami.



