A colheita da soja segue avançando em ritmo acelerado na região de Passo Fundo e já alcança cerca de 60% da área cultivada, conforme levantamento da Emater. O cenário, que há algumas semanas gerava preocupação em razão da estiagem registrada durante o verão, agora aponta para uma safra dentro de um patamar considerado satisfatório para os produtores. A expectativa é de que os trabalhos sejam concluídos em até 15 dias, desde que as condições climáticas permaneçam favoráveis e não haja novas interrupções por conta das chuvas.
De acordo com o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, além da área já colhida, aproximadamente 20% das lavouras encontram-se em fase de maturação fisiológica. Esse estágio representa a etapa final do desenvolvimento da cultura, quando os grãos já estão formados e a planta passa pela mudança de coloração, preparando-se para a entrada das colheitadeiras. Essas áreas correspondem, principalmente, às lavouras semeadas mais tardiamente, que agora entram na reta final do ciclo produtivo.
Segundo ele, a passagem das chuvas nos últimos dias provocou uma breve pausa nos trabalhos, mas a tendência é de retomada imediata tão logo o solo apresente condições adequadas para a operação das máquinas. “A colheita tem avançado bastante e estamos próximos de 60% da área colhida. Temos ainda cerca de 20% maduro por colher e, passada a chuva, a tendência é que os trabalhos tenham continuidade. No máximo em 15 dias, essas áreas já estarão prontas para a colheita”, afirmou.
Produtividade
Um dos pontos mais positivos observados nesta fase final da safra é a recuperação da média de produtividade regional. As primeiras áreas colhidas, especialmente aquelas de ciclo mais precoce, apresentaram rendimento abaixo do esperado, com médias girando em torno de 45 sacas por hectare. No entanto, as áreas de ciclo intermediário, que atualmente concentram a maior parte da colheita, vêm apresentando números superiores, o que tem elevado a média geral. A projeção mais recente da Emater indica produtividade próxima de 60 sacas por hectare na região de Passo Fundo. Embora represente uma pequena redução em relação à média histórica, estimada entre 65 e 66 sacas por hectare, o resultado é considerado positivo diante das adversidades climáticas enfrentadas durante o ciclo.
Para Oriberto, o desempenho da safra surpreende de forma positiva, principalmente quando comparado às projeções feitas nos meses de janeiro e fevereiro, período em que a falta de chuva gerou apreensão entre técnicos e produtores rurais. Em algumas localidades, foram registrados até 30 dias consecutivos praticamente sem precipitações, justamente em uma fase decisiva para o enchimento dos grãos. “É uma média boa. Naquele período de estiagem, a expectativa era de uma quebra muito maior, com impacto mais severo na produtividade. Hoje, com a média próxima de 60 sacas por hectare, podemos dizer que a safra está dentro de um padrão de normalidade”, destacou.
Chuvas irregulares
A irregularidade das chuvas ao longo do ciclo foi um dos fatores que mais influenciaram o comportamento da produtividade. Em diferentes municípios da região, e até mesmo dentro de uma mesma cidade, os resultados variam de forma significativa. Em algumas áreas de certos municípios, onde a estiagem foi mais prolongada, a produtividade ficou entre 40 e 45 sacas por hectare. Já em outras localidades dos mesmos municípios, beneficiadas por chuvas esparsas e localizadas, os índices alcançam entre 70 e até 80 sacas por hectare, números considerados excelentes.
Essa diferença entre propriedades, segundo a Emater, mostra como a distribuição irregular das precipitações influenciou diretamente o rendimento final das lavouras. “Tem produtor que perdeu mais, e isso é compreensível, mas também temos áreas que responderam muito bem. Por isso, o que vale é a média regional, e ela está muito próxima da nossa realidade histórica”, ressaltou o gerente.
Período de plantio favoreceu
Outro fator que contribuiu para um melhor desempenho foi o plantio tardio em parte da região. Municípios como Mato Castelhano, Ciríaco, Barracão e Capão Bonito do Sul, onde tradicionalmente a semeadura ocorre um pouco mais tarde, acabaram sendo favorecidos pelo calendário agrícola. Nessas áreas, o ciclo da soja coincidiu com um período de melhores condições hídricas, reduzindo os impactos provocados pela estiagem registrada no início do ano. Esse comportamento também explica por que algumas regiões do Estado sofreram perdas mais severas do que a região de Passo Fundo. Em áreas onde o plantio foi antecipado, a cultura ficou mais exposta ao período crítico de falta de chuva, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro.



