Chuvas trazem alívio às lavouras da região

Maior preocupação é a soja, que ainda depende de precipitações regulares nesta fase de enchimento de grão

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Área de milho que já foram colhidas apresentam boa produtividade - Foto: Divulgação/Emater Área de milho que já foram colhidas apresentam boa produtividade - Foto: Divulgação/Emater
Área de milho que já foram colhidas apresentam boa produtividade - Foto: Divulgação/Emater
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As chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul no último fim de semana, estendendo-se pelo feriado de Carnaval, chegaram em um momento decisivo para as lavouras da região Norte do Estado. Depois de um período que chegou a 30 dias sem precipitações em algumas localidades, os acumulados registrados trouxeram alívio, especialmente para a soja, que enfrentava um quadro severo de estresse hídrico.

De acordo com o supervisor regional da Emater, Oriberto Adami, as precipitações interromperam um ciclo de perdas que se intensificava a cada dia. “A chuva chegou um pouco tardiamente, mas poderia ter sido muito pior se não tivesse ocorrido. As perdas poderiam ultrapassar 40% ou 50% em uma semana, porque a lavoura já estava em estresse hídrico severo”, avalia.

Soja em fase decisiva

A soja se encontra em um dos períodos mais sensíveis do ciclo: a formação de vagens e o enchimento de grãos. Sem umidade adequada, a cultura estaria sujeita ao abortamento de vagens, à má formação e à produção de grãos miúdos, comprometendo tanto a produtividade quanto a qualidade final.

Inicialmente, as chuvas ocorreram de forma esparsa, com volumes entre 15 e 20 milímetros, considerados insuficientes. Porém, no domingo, os acumulados se tornaram mais uniformes. Em municípios da região de Sananduva e Paim Filho, houve registros que chegaram a 180 milímetros. Já em áreas como Marau e Casca, os volumes acumulados ultrapassaram 40 a 50 milímetros.

Segundo Adami, esses índices foram fundamentais para manter o potencial produtivo. “Ela vai amenizar muito e interromper esse ciclo de perda acentuada. Agora será possível avaliar melhor na colheita, mas não se confirmou aquela perda extrema que estava se configurando”, destaca.

Apesar do alívio, o cenário ainda exige atenção. Com temperaturas elevadas, a evapotranspiração é intensa. Nesta fase, o consumo médio de água pela cultura varia entre 4 e 5 milímetros por dia. Isso significa que uma chuva de 50 milímetros pode garantir umidade por cerca de 10 dias. Por isso, a necessidade é de precipitações regulares, a cada 8 ou 10 dias, com volumes entre 25 e 30 milímetros para manter o equilíbrio hídrico.

A colheita da soja deve começar apenas na segunda quinzena de março, principalmente nas áreas mais precoces. Como parte das lavouras foi implantada após a colheita do trigo, houve atraso de cerca de 10 dias no calendário, concentrando a maior parte da colheita entre o fim de março e abril.

Manejo do solo faz diferença

O impacto da estiagem também evidenciou a importância do manejo adequado do solo. Programas estaduais têm incentivado práticas como descompactação e manutenção de palhada, que ampliam a capacidade de infiltração e armazenamento de água. “Solo compactado provoca muito escorrimento superficial e armazena pouca água. Onde há bom manejo, a lavoura resiste mais e mantém umidade por mais tempo”, explica o supervisor. Além de preservar a produtividade, a boa estrutura do solo reduz problemas como erosão, assoreamento de cursos d’água e perdas de insumos.

Milho já entra na reta final

Diferentemente da soja, o milho está na reta final do ciclo. Grande parte das lavouras já atingiu a maturação fisiológica ou está pronta para a colheita, que começou em áreas de plantio mais precoce, como Paim Filho, onde o clima é ligeiramente mais quente e o plantio ocorre antes.

As produtividades iniciais são consideradas boas, variando entre 100 e 180 sacas por hectare. A média regional está em torno de 140 sacas por hectare — o equivalente a aproximadamente 9 mil quilos por hectare. “As menores produtividades, em torno de 100 a 110 sacas, ocorreram em áreas que enfrentaram estiagens localizadas durante a floração. Mas, no geral, teremos médias boas, dentro do esperado”, afirma Adami.

Como a maior parte do milho foi plantada entre setembro e outubro, muitas áreas já completaram o ciclo, o que reduz a influência das chuvas recentes sobre a produtividade. A expectativa é de que, nos próximos 10 dias, grande parte da região esteja em plena colheita, excetuando-se as áreas de plantio mais tardio.

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