El Niño mostra a cara com temporais no final de semana

Após elevação da temperatura, virada no tempo traz chuvas fortes e risco de vendavais

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Virada no tempo e sequência de dias com instabilidades - Foto: MagnificVirada no tempo e sequência de dias com instabilidades - Foto: Magnific
Virada no tempo e sequência de dias com instabilidades - Foto: Magnific
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Depois de uma semana com temperaturas próximas de 0 ºC, geada e sensação térmica em valores negativos, as condições meteorológicas sofrem alterações bruscas. A sequência das mudanças já é conhecida: a frente fria traz chuva, seguida de queda de temperatura e novas instabilidades. Porém, neste episódio, o período de instabilidade será mais prolongado.

O prognóstico é visto como um cartão de visitas do fenômeno El Niño, que deve provocar chuvas intensas e volumes consideráveis no Sul do Brasil. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já emitiu avisos laranja sobre riscos de temporais e vendavais.

Bloqueio atmosférico

“São os primeiros sinais da influência do fenômeno El Niño”, explica Aldemir Pasinato, analista do Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Trigo, em Passo Fundo. “Temos um corredor de umidade vindo da Amazônia, enquanto um sistema de baixa pressão avança por meio de uma frente fria vinda da Argentina. Assim, teremos instabilidades por vários dias, pois há um bloqueio atmosférico na região central do Brasil. Isso faz com que as condições de instabilidade permaneçam estacionadas sobre o Rio Grande do Sul”, complementou.

Isso significa tempo instável e muita chuva até o final do mês.

Instabilidades

Aldemir Pasinato, com base em dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), informa que as previsões apontam instabilidades a partir do final de semana e também durante a próxima semana.

“Primeiro, na região Centro-Sul do Rio Grande do Sul, Campanha e Oeste, depois aqui no Planalto Médio. Nesse período, os acumulados de precipitação podem superar 200 mm. O quadro é propício para temporais, e já há indicativos de ventos fortes a partir desta sexta-feira.”

Ventos fortes

“Na Região Norte do Estado, as rajadas de vento serão constantes na sexta-feira, sábado e domingo. Serão ventos que podem ultrapassar os 70 km/h ou 80 km/h, em consequência da massa de ar quente que receberá a frente fria”, explicou o analista da Embrapa Trigo.

A combinação de temperaturas elevadas na atmosfera regional também favorece a ocorrência de temporais na área Norte do Estado. “Chuva a partir do final de semana. A partir de segunda-feira (20), teremos áreas de instabilidade ao longo da semana, com maiores volumes de chuva e temporais”, completou Pasinato.

Final de semana

O analista apontou os prognósticos para os próximos dias.

“Para sexta-feira (17), os indicativos são de sol entre nuvens e temperatura em elevação, com mínima entre 15 ºC e 17 ºC. A máxima sobe para 25 ºC a 28 ºC. No sábado (18), céu nublado e sol entre nuvens, com sensação de abafamento, mínima de 17 ºC e máxima de 27 ºC. No domingo (19), céu nublado e chuva, com mínima de 17 ºC e máxima de 25 ºC. A partir de segunda-feira, muita chuva.”

Alertas

O Inmet publicou avisos de alerta laranja para a região. O primeiro é sobre vendaval, com grau de severidade considerado perigoso, válido de sexta-feira a domingo.

Outro alerta prevê chuva entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60 km/h a 100 km/h) e possibilidade de queda de granizo para sábado e domingo.

Em outro comunicado sobre vendavais, o órgão indica ventos entre 60 km/h e 100 km/h, com risco de queda de árvores, destelhamento de casas e danos em edificações e plantações. O alerta é válido para segunda-feira, 20 de julho.

Agrometeorologista explica como é o fenômeno El Niño

O El Niño é detalhado por Gilberto Cunha, agrometeorologista da Embrapa Trigo, considerado referência no tema pelos meios científicos.

“A fase quente do fenômeno El Niño – Oscilação Sul é marcada pelas anomalias positivas da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse acoplamento com a atmosfera altera o padrão de circulação, espalhando eventos climáticos extremos para várias regiões do mundo.

No Brasil, o El Niño traz chuvas acima do padrão normal do clima na região Sul, irregularidade de chuvas e ondas de calor no Sudeste e Centro-Oeste, além de redução de chuvas na Amazônia e no norte da Região Nordeste.”

Chuvas intensas

Cunha apresenta uma perspectiva sobre os próximos meses. “No Sul, a influência do El Niño é mais característica na primavera e no outono, quando são comuns episódios de chuvas intensas e tempestades com ventos que elevam a demanda de trabalho da Defesa Civil nas cidades, causam problemas nas rodovias, inundações em áreas vulneráveis e, em muitos casos, prejudicam a agricultura, dificultando o controle de doenças no campo e aumentando a erosão dos solos.”

Cautela e precaução

“O El Niño, uma vez estabelecido, costuma permanecer por um período de um ano a um ano e meio. Os eventos El Niño marcantes, desde 1970, foram: 1972/73, 1982/83, 1997/98, 2015/16 e 2023/24.

Tudo indica que, pela intensidade anunciada, o atual evento El Niño poderá ser classificado como forte ou muito forte e engrossar essa lista. O momento é de cautela e precaução. Caso os impactos do El Niño no clima se confirmem, é importante que estejamos preparados para recebê-lo”, complementou o pesquisador.

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