Chuvas aliviam estresse hídrico da soja

Lavouras entram em fase decisiva com melhora na perspectiva para a safra na região

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Lavouras de soja no interior de Passo Fundo ainda dependem de precipitações para garantir uma boa produtividade - FOTO: GERSON LOPES/ONLavouras de soja no interior de Passo Fundo ainda dependem de precipitações para garantir uma boa produtividade - FOTO: GERSON LOPES/ON
Lavouras de soja no interior de Passo Fundo ainda dependem de precipitações para garantir uma boa produtividade - FOTO: GERSON LOPES/ON
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As chuvas que voltaram a atingir a região de Passo Fundo chegaram em um momento estratégico para a safra de verão. Depois de um período de estiagem que se intensificou entre o fim de janeiro e o mês de fevereiro — especialmente em áreas que chegaram a registrar mais de 30 dias sem precipitações significativas —, a umidade recente trouxe alívio, principalmente para a soja, cultura que ainda depende diretamente das condições climáticas para definir seu potencial produtivo.

De acordo com o supervisor regional da Emater/RS-Ascar, Oriberto Adami, a soja inspira atenção. Principal cultura da região, ocupando cerca de 650 mil hectares, ela enfrentou forte estresse hídrico durante o período crítico de estiagem. “A soja é o grande carro-chefe. A falta de chuva, principalmente em fevereiro, vai impactar a produtividade, mas ainda não temos como quantificar essa redução”, observa Adami.

A preocupação maior se concentrou nas lavouras que estavam em fase de formação de vagens e enchimento de grãos, estágios decisivos para a definição do peso final e, consequentemente, do rendimento por hectare. Nesse período, a demanda por água é elevada, e a ausência de precipitação poderia ter provocado perdas expressivas.

Na hora certa

As chuvas recentes, embora com volumes irregulares — variando de 25 a 100 milímetros conforme o município —, foram consideradas providenciais. “Chegaram a tempo de evitar um agravamento maior. Se tivéssemos mais oito ou dez dias sem chuva, poderíamos chegar a perdas próximas de 40% ou 50% em algumas áreas”, alerta o supervisor.

Até o momento, a avaliação é de estabilidade, com expectativa de redução na produtividade, mas em patamar menos severo do que se projetava durante o auge da estiagem. A manutenção de precipitações regulares nas próximas semanas será determinante para consolidar esse cenário. O ideal, segundo a avaliação técnica, seria a ocorrência de chuvas semanais ao longo dos próximos 20 a 30 dias, período ainda capaz de influenciar positivamente o enchimento de grãos, especialmente em áreas plantadas mais tardiamente, como aquelas em resteva de trigo.

O calendário também aponta para um leve atraso em parte das lavouras de soja, o que pode estender a colheita até o início de abril. As áreas mais precoces devem começar a ser colhidas na segunda quinzena de março, logo após a conclusão da colheita do milho.

Para o setor produtivo regional, o retorno das chuvas representa não apenas alívio agronômico, mas também tranquilidade econômica. Em uma safra marcada por oscilações climáticas, a regularidade das precipitações nas próximas semanas será decisiva para confirmar uma produtividade satisfatória e evitar prejuízos mais expressivos no principal cultivo do verão gaúcho.

Ciclo do milho em fase final

Adami afirma que o cenário para o milho é distinto. A cultura já se encontra, em sua maior parte, em fase de maturação fisiológica e praticamente não depende mais de novas chuvas para consolidar o rendimento. “O milho já está em final de ciclo, com algumas áreas maduras aguardando apenas a colheita. Na região, são cerca de 70 mil hectares cultivados, e a maior parte já está em maturação fisiológica. Nesse estágio, a chuva praticamente não interfere mais na produtividade”, explica.

Segundo ele, a expectativa é de uma média considerada boa para os padrões regionais. Em áreas onde a colheita já começou, especialmente em municípios mais próximos ao Rio Uruguai, como na região de Machadinho — onde o plantio ocorre mais cedo —, os primeiros resultados são animadores. As produtividades variam entre 140 e 150 sacas por hectare, índices que refletem um desempenho satisfatório, com possibilidade de números ainda maiores em áreas de maior investimento tecnológico e solos mais férteis.

Apesar de algumas lavouras já apresentarem maturação visual, a colheita ainda não foi iniciada de forma generalizada devido à elevada umidade dos grãos. Há registros de índices entre 27% e 28%, patamar considerado alto para a comercialização, pois implica descontos significativos na entrega. A tendência é que, dentro de 10 a 15 dias, a colheita avance de forma mais ampla, estendendo-se por aproximadamente três semanas. Tradicionalmente, os produtores priorizam a retirada do milho antes de iniciar a colheita da soja, tanto por questões logísticas quanto operacionais.

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