Stéfanie Rozin é fonoaudióloga
Alguns transtornos do desenvolvimento que limitam a aprendizagem da criança são evidentes desde cedo, manifestando-se na forma de uma lentidão, envolvendo atrasos neuropsicomotores, na linguagem ou na interação social, como a síndrome de Down, o autismo e a deficiência mental, por exemplo. Outros tipos de transtornos surgem com o passar do tempo, na medida em que certas habilidades passam a ser mais exigidas. Nesta categoria podemos incluir a Dislexia, que se manifesta de modo claro quando se inicia o processo formal de alfabetização.
A Dislexia é considerada um transtorno específico de aprendizagem de base neurológica, onde há dificuldade em ler de forma fluente as palavras, sendo difícil decodificar as letras com seu som correspondente. Disso resulta um déficit no campo fonológico da linguagem inesperada para a idade e sem relação com outros déficits cognitivos. Enfim, a criança está pronta para alfabetizar-se, tem inteligência suficiente para isso, mesmo assim, não consegue apropriar-se da linguagem escrita.
Alguns possíveis sinais de Dislexia em idade escolar:
-dificuldade na aquisição e automatização da leitura;
-dificuldade de reconhecer rimas;
-desatenção;
-atraso na coordenação motora fina;
- desorganização geral, atrasos, perda de pertences;
-confusão entre direita e esquerda;
-vocabulário pobre, com sentenças curtas;
-dificuldade de memorizar informações básicas;
-trocas, inversões, omissões de letras;
-bom desempenho em provas orais.
Os transtornos de aprendizagem, em geral, caracterizam-se pela presença de um conjunto de sintomas não eventuais afetando, principalmente, a área da linguagem. Tais dificuldades são mais persistentes do que o normal na forma de indícios como:
-atraso na aquisição da linguagem falada;
-dificuldades sistemáticas de compreensão;
-alterações na aquisição dos sons da fala (omissão, inversão e substituição de fonemas);
-vocabulário reduzido;
-dificuldade de formar frases longas;
-relatos orais incoerentes e dificuldade de organizar as ideias;
-dificuldade para compreender o sistema numérico e aprender as horas;
-demora em aprender o nome das letras;
-leitura lenta e hesitante;
-erros ortográficos numerosos.
A principal forma de amenizar os efeitos de um problema é a sua identificação e tratamento precoces. Não se pode ser negligente frente a certos indicadores de risco, pois apesar de nem todos os transtornos terem uma “cura” completa, certos cuidados e intervenções podem ter efeito em termos de mudar, de maneira significativa, suas consequências nefastas em relação à trajetória escolar e desenvolvimento de muitas crianças.
No que tange ao desenvolvimento infantil, esperar para ver no que vai dar, na maioria das vezes, agrava os atuais problemas que a criança vem apresentando, resultando em um acúmulo de frustrações no âmbito escolar. Crianças em idade pré-escolar e escolares que apresentam alguns dos sintomas acima citados merecem atendimento especializado, muitas vezes em equipe multidisciplinar envolvendo fonoaudiólogos, psicólogos, médicos e psicopedagogos. Identificar para cuidar é regra básica e o fonoaudiólogo é o profissional habilitado para avaliar, diagnosticar e tratar as alterações de linguagem oral e escrita.


