Somando o número médio de atendimentos diários em cada uma das três principais instituições hospitalares do município – Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Hospital da Cidade (HC) e Hospital Beneficente Dr. César Santos (HBCS) – um número superior a 400 pessoas procura atendimento médico. Entretanto, um percentual que varia de 85 a 90% desse total não são casos de emergências, sendo que poderiam ser resolvidos nas unidades de saúde dos bairros, por exemplo. A situação é histórica, mas se agrava a cada ano e prejudica o atendimento do que realmente é emergencial.
Com esse panorama, significa dizer que as unidades estão atendendo no limite ou além de suas capacidades. Prova disso é que na última quinta-feira (30) o Hospital da Cidade chegou a emitir uma nota para o Corpo de Bombeiros e Samu, responsáveis pelo atendimento de ambulâncias, sobre a situação, e pedindo que somente destinassem à instituição os casos realmente graves, procurando encaminhar as demais situações a outras instituições.
“Desde a última semana, estamos atendendo uma média de 100 a 110 pacientes por dia na emergência. Por isso emitimos a nota, para que os Bombeiros e o Samu soubessem da situação e tentassem nos encaminhar apenas as emergências, porque o setor está superlotado”, comenta o médico responsável pelo setor de emergências médicas do Hospital da Cidade, Rodrigo Latuada. De acordo com ele, a grande maioria procura a emergência em busca de consultas de atenção básica. “É importante esclarecer que a emergência nunca é e nunca foi fechada, mas não temos mais onde colocar pacientes. O que acontece é que pelo menos 85% estão em busca de atendimento de atenção básica, o que não se trata de emergência, e isso acaba nos superlotando”, salienta.
Latuada afirma que gripes, resfriados e diarreias são casos comuns no dia a dia da emergência, mas que não precisaram ser atendidos no local que deveria ser destinado somente aos casos graves. “Com essa mudança de clima e o nosso inverno, que é rigoroso, estamos atendendo um número bastante grande de idosos. Se tivéssemos uma UPA, estes atendimentos seriam feitos lá e somente seriam encaminhados para as emergências os casos graves”, ressalta. Pacientes que apresentem febre alta, pressão alta ou vítimas de acidentes de trânsito, por exemplo, fazem parte do que se entende por caso grave.
UPA para resolver a situação
Para o coordenador médico da emergência do Hospital São Vicente de Paulo, Julio Stobbe, o momento é de pressionar o poder público para a implementação da UPA. “Já tivemos reuniões com o Ministério Público Estadual porque precisamos fazer pressão para que a UPA comece a existir em Passo Fundo. Se tivéssemos a Unidade de Pronto Atendimento as emergências não estariam lotadas”, enfatiza.
Conforme Stobbe, o atendimento de consultas chega a 90% da demanda da emergência, que diariamente recebe entre 150 e 180 pacientes. “Há três ou quatro anos, nossa média era de 100 atendimentos por dia na emergência. Depois aumentou para 120 e hoje oscilamos entre 150 e 180 pacientes diariamente”, comenta. O aumento da demanda tem feito com que a equipe que atende seja progressivamente aumentada. “Agora teremos que fazer uma readequação do espaço para poder abrigar todos estes profissionais”, salienta.
HBCS também tem grande procura
O pronto atendimento adulto do Hospital Beneficente Dr. Cesar Santos (HBCS) também contra com uma grande procura. Segundo o diretor da instituição, Fabiano Bolner, são entre 140 e 150 atendimentos diários na emergência. “Dispomos do serviço de clínico geral. Então, quando são casos mais complexos precisamos encaminhar para atendimento especializado em outra instituição de maior complexidade. Para isso fazemos contato prévio com os outros hospitais”, explica Bolner, lembrando que 85% dos atendimentos da emergência são consultas.



