Estamos assistindo curiosos os movimentos do presidente dos EUA, Donald Trump, com inusitado interesse incitado pela mídia brasileira. Vemos, apreensivos, as medidas presidenciais que julgamos pouco sóbrias para a desejada paz do mundo. Mais do que a reflexão sobre a consciência política do povo do império do Norte, estamos alertas e prontos para julgar, conforme a moda brasileira. E julgamos o Trump! Viramos “trumpistas” ou somos oposição ferrenha nos Estados Unidos. Quanta impropriedade! Alguém tem interesse em polarizar o interesse brasileiro no presidente americano. Mas estamos perdendo a capacidade de olharmos para o próprio umbigo. O desemprego assombra nossa pátria, assolando famílias e tirando o sossego de nossa gente. E ficamos anestesiados, olhando pra outro país, como o montanhista em repouso contemplando o vôo absorto do condor. Que lástima! O fogo se alastra em nossa cozinha, mas ficamos na janela olhando o que se passa na rua. Ninguém mais defende as políticas de ajuda aos desempregados e todos os perdedores da fome e miséria. Foram anos de ajuda aos pobres combatendo a fome. A questão da corrupção é outro assunto. Referimo-nos à redução da fome, programa prioritário que corre o risco de ser esquecido. Desemprego e fome não nos assustam por quê? Está na hora de nos desligarmos um pouco dos cachorrinhos de luxo e do presidente Trump para nos concentrarmos no abismo da fome e miséria aos nossos pés!
Eike fumaça
O pretenso milionário Eike Batista foi transformado no centro de todos os noticiários contrariando a própria fleuma do acusado de corrupção ativa. Enquanto uma caixa preta de 77 delatores da Odebrecht permanece hermeticamente fechada, os citados no beneficiamento de propina ganham tempo para escaramuças. Para ajudar os indigitados líderes políticos da Lava Jato, a mídia age em cumplicidade desviando o foco. É inusitada a exploração de detalhes de Eike, mantido sob holofotes desde sua chegada até o cardápio na penitenciária. A mídia é inexcedível. Descreve o compartimento prisional, o cardápio, e detalha até o sanitário, concluindo como inédito o fato de Eike Batista fazer necessidades fisiológicas, como defecar e urinar. Enquanto isso é jogado na vala justiceira, as brumas de sua queda financeira encobrem a avalanche de revelações dos 77 delatores. E a cabeça raspada do ex-milionário, fitando a maior mina de ouro adquirida na América não deixa o detento cair das nuvens. E o show continua, mesmo com a bomba prestes a explodir no colo do poder político. Um milionário objeto de zombarias desnecessárias, mas que serve como boi de piranha no campo minado das denúncias de corrupção.
Desigualdade
Temos um nó górdio inflamando a saúde política do país, a partir da realidade representativa no Congresso. A maioria dos parlamentares representa forças de elites conservadoras que continuam renunciando ao debate sério sobre a desigualdade social. Com o desemprego isso agrava a tensão.
Bebida barata
O debate jornalístico que ativou o programa da UPF-TV, apresentado pela Zulmara Colussi, no Estúdio-4, é de evidente força na orientação social. O médico Paulo Reichert, a promotora Clarissa de Simões Machado e José Rodrigo, dos moradores do centro, além do Manfroi, dos supermercados, ilustraram bem a questão do consumo de bebidas alcoólicas. Principalmente envolvendo jovens e adolescentes. Circunstâncias mais recentes indicam perigos e necessidade de retomar o assunto como indutor de condutas sociais e de saúde pública, mais graves do que comumente se percebe. Álcool, nem de brincadeira!
Retoques:
Não devemos nos iludir com o governo Trump, que representa o poder dos ricos.
A grande maioria do povo e empreendedores sérios vai continuar lutando, mas a recuperação do Brasil não será tão rápida.
As reformas necessárias, bem ou mal apresentadas, têm um tempo curto para aprovação, principalmente na previdência. Em 2018 teremos período eleitoral que anula qualquer esforço.


