OPINIÃO

Teclando

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A taça não é nossa

Do ufanismo ao descaso, a Copa do Mundo é mais do que um acontecimento. O futebol vira epidemia e as consequências dependem, é claro, dos resultados. Se o Brasil fosse campeão, ninguém falaria mal da seleção, do técnico ou dos jogadores. Somos passionais. Quando em estado de euforia passamos uma borracha por cima de tudo, mas quando decepcionados encontramos os culpados e as mais inusitadas causas para o fracasso. Porém, muito além dessa bipolaridade pós-resultados, deveríamos mudar nossa concepção em relação às Copas. Neste Mundial, foram 210 equipes participantes, das quais apenas 32 entraram em campo na Rússia e somente uma será a campeã. Mas temos incutida uma ideia de que o Brasil sempre será o campeão? Por quê? Ah, dirão, que deu zebra? Ora, como pode ocorrer zebra numa competição que reúne somente seleções? Não existe favoritismo. Pela lógica sabemos que das 210 equipes (desde as eliminatórias), cada uma tinha 0,47% de chances de ser campeã. Ou, das 32 que chegaram à Rússia, cada uma tinha 3,12% de chances. O resto é conversa para boi dormir. Futebol não se ganha com nome. Acabou o carteiraço.

Oportunismo

Mais do que o aproveitamento de um momento adequado, o oportunismo se transformou em má conduta habitual. Não é errado alguém aproveitar uma boa oportunidade, contanto que aja de forma ética. Porém, o oportunismo vem consolidando-se pela prática do beneficiamento antiético. Um péssimo comportamento que começa em casa, passa pela escola e chega à conduta profissional. Claro, tem surtos agravantes no meio político onde até mesmo o abstrato é oportuno. Essa conduta, que já é cultural, ganha um incentivo midiático através da ostentação e badalação da vulgaridade. Os pseudoartistas, então, são um estímulo ao oportunismo. Cantam a desgraça alheia em semitonada vulgaridade, mas são “famosos” e milionários. Ora, isso é um oportunismo e também um deboche às partituras e ao diapasão. Pelo ângulo patológico, o oportunismo seria causado pelos vírus da ganância e da vaidade. Aliás, vírus de uma mesma cepa que se reproduzem no convívio com maus exemplos. Certamente, é dessa convivência que surge o brete das ideias que resulta no oportunismo coletivo. É uma cilada, onde a ilusão converte a razão para embarcar no vagão das vantagens. E assim segue o trem do oportunismo, que já descarrilou dos trilhos da ética.

Os novos subversivos

Por que as pessoas que repassam mentiras pelos grupos de WhatsApp e Facebook não são punidas? E, nas situações em que essa prática é constante, o crime não teria agravante? Como em muitos casos esses fakes são direcionados à subversão da ordem, atacam instituições e têm forte conotação anticonstitucional, não seriam ações subversivas? E, ainda, como essa prática é realizada por redes de distribuição organizadas, não seriam casos de formação de quadrilhas? E isso é de conhecimento público. Então, estamos diante de omissões ou de  prevaricações?


Trilha sonora
Em 2004, no Royal Albert Hall, em Londres, Rod Stewart & Amy Belle. Como bônus tem Katja Rieckermann ao sax: I Dont Want To Talk About It
Use o link ou clique:
https://goo.gl/NGDMTj

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