Granizo causa prejuízos em cidades da região e mobiliza força-tarefa

Não-Me-Toque e Ernestina contabilizam danos em residências, lavouras e infraestrutura após temporal de segunda-feira

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Em Não-Me-Toque, um levantamento preliminar da Prefeitura aponta que pelo menos 200 residências sofreram danos - FOTO: GRUPO CERES DE COMUNICAÇÃO.Em Não-Me-Toque, um levantamento preliminar da Prefeitura aponta que pelo menos 200 residências sofreram danos - FOTO: GRUPO CERES DE COMUNICAÇÃO.
Em Não-Me-Toque, um levantamento preliminar da Prefeitura aponta que pelo menos 200 residências sofreram danos - FOTO: GRUPO CERES DE COMUNICAÇÃO.
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O temporal com chuva intensa, ventos fortes e queda de granizo registrado no fim da tarde de segunda-feira provocou estragos em pelo menos oito municípios do Norte do Rio Grande do Sul. Não-Me-Toque e Ernestina estão entre as cidades mais atingidas, com centenas de imóveis danificados, prejuízos na agricultura e mobilização de equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e prefeituras para prestar atendimento às famílias.

Além dos danos em residências, o temporal derrubou árvores, interrompeu o fornecimento de energia elétrica, bloqueou vias e causou perdas significativas nas lavouras de inverno. Também houve registros de transtornos em municípios como Victor Graeff, Lagoa dos Três Cantos, Soledade, Espumoso e Ibiraiaras.

Comitê de crise atende famílias

Em Não-Me-Toque, um levantamento preliminar da Prefeitura aponta que pelo menos 200 residências sofreram danos. Até a manhã de terça-feira, cerca de 300 imóveis permaneciam sem energia elétrica. Apesar da intensidade da tempestade, não houve registro de pessoas desalojadas.

Para coordenar o atendimento à população, a Prefeitura montou um comitê de crise com seis equipes responsáveis pela distribuição de lonas, atendimento às ocorrências e remoção de árvores que bloquearam ruas e estradas. O trabalho contou com apoio da Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros de Carazinho, Bombeiros Voluntários e moradores que se ofereceram para auxiliar.

Segundo o secretário municipal de Finanças, Fernando Alberton, a orientação é que os moradores evitem subir nos telhados para reduzir o risco de acidentes.

“Montamos um comitê de crise com seis equipes para atender aos pedidos, disponibilizando lonas e mão de obra. A orientação é fazer o enlonamento pela parte interna das casas e evitar subir nos telhados para evitar acidentes”, destacou.

O secretário informou que a chuva ocorreu por volta das 17h30, com aproximadamente 40 milímetros de precipitação, mas foi acompanhada por pedras de granizo de grande porte, que perfuraram telhados e calhas. Os bairros Jardim e o distrito de São José do Centro concentraram os maiores danos.

Além das residências, o setor agrícola também sofreu impactos. Conforme Alberton, os primeiros levantamentos indicam perdas praticamente totais em áreas de trigo, cevada e canola atingidas pela faixa de granizo.

Ernestina decreta situação de emergência

Em Ernestina, a situação também é considerada grave. Segundo a Prefeitura, cerca de 70% das residências, tanto na área urbana quanto na rural, sofreram algum tipo de dano provocado pelo granizo. O município iniciou um novo processo de decretação de situação de emergência, poucos dias depois de outro decreto motivado pelas fortes chuvas.

De acordo com o prefeito Odir Bohen, a maior destruição ocorreu nas comunidades de Linha Pessegueiro e Linha São Paulo, onde, além dos telhados danificados, as lavouras de inverno foram praticamente destruídas.

“Onde o granizo passou, destruiu praticamente toda a agricultura de inverno. Casas e galpões tiveram os telhados danificados. Estamos trabalhando junto ao Governo do Estado para buscar recursos e atender a população”, afirmou.

As equipes da Prefeitura passaram a noite distribuindo lonas, prestando assistência às famílias e desobstruindo estradas.

Bohen destacou que o município enfrenta uma sequência de eventos climáticos extremos. Em maio, Ernestina foi atingida por um tornado. Há pouco mais de uma semana, outra chuva acumulou cerca de 280 milímetros, destruindo pontes, bueiros e grande parte da malha viária rural.

“Estamos preocupados, mas peço calma para a população. Vamos trabalhar para reconstruir novamente aquilo que foi perdido”, declarou o prefeito.

A coordenadora da Defesa Civil de Ernestina, Heliana Lazzarotto, informou que o decreto de situação de emergência foi publicado ainda na tarde de terça-feira (28) no Diário Oficial do Estado, após as vistorias técnicas realizadas.

Região contabiliza prejuízos

Além de Não-Me-Toque e Ernestina, outras cidades também registraram danos provocados pelo temporal. Em Espumoso, a chuva intensa provocou alagamentos em ruas da cidade.

Ainda em Não-Me-Toque, um dos episódios que chamou atenção foi o estouro dos vidros de um ônibus que aguardava funcionários de uma empresa, atingido pela força do granizo.

Alerta vermelho mantém risco de novos temporais

O Inmet emitiu alerta vermelho para grande parte do Rio Grande do Sul, incluindo Passo Fundo, válido até o meio-dia desta quarta-feira. O aviso indica risco elevado de temporais com chuva intensa, ventos fortes, descargas elétricas e queda de granizo.

Até as 15h de terça-feira, já haviam sido registrados 27,6 milímetros de chuva na cidade. No acumulado de julho, o volume ultrapassa 347 milímetros, cerca de 117,5 milímetros acima da média histórica para o mês.

Para esta quarta-feira, a previsão é de chuva com menor intensidade, mas o tempo permanece instável, com muitas nuvens ao longo do dia. Na quinta-feira, a chuva perde força e o sol deve aparecer entre nuvens. A sexta-feira também deve ser de clima seco e temperaturas amenas.

No entanto, a estabilidade será passageira, já que uma nova frente fria tem previsão de avançar sobre o Estado durante o fim de semana, trazendo novamente condições para chuva em diversas regiões.

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