Ao longo de 2026, a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e TV (Agert) realizará encontros em municípios do Interior. O objetivo é disseminar orientações e informações sobre as eleições de 2026. Além disso, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RS), será realizada uma campanha para combater a abstenção nas urnas. Hoje (28), foi a vez de Passo Fundo receber o Seminário Eleitoral, realizado nas dependências da Faculdade de Direito da UPF.
Com a participação de representantes da Justiça Eleitoral, da Faculdade de Direito e de veículos regionais de comunicação, o seminário contou com a presença da presidente do TRE/RS, desembargadora Maria de Lourdes Gonzales. Ao abordar o cenário nacional, a magistrada destacou que o Brasil teve mais de 31 milhões de eleitores que não compareceram às urnas — cerca de 20% do total. Em Passo Fundo, o índice registrado nas eleições de 2024 chegou a 24% de abstenções. Com o objetivo de combater a ausência de eleitores nas urnas, a desembargadora ressaltou a importância do voto.
“Votar é exercer a cidadania e escolher quem vai cuidar da saúde ou da educação da sociedade. A abstenção é uma omissão que eu considero injustificada”, salientou.
Ainda conforme a desembargadora, “essa omissão na vida pública significa perder a chance e o direito de participar dos atos consequentes daqueles que foram eleitos”. Dessa forma, as reuniões realizadas pelo Estado são encaradas por Maria de Lourdes como “uma cruzada para incentivar os jovens e aqueles que já podem votar, ou que estão liberados para isso, a entenderem a importância do voto”.
Desencanto
Para o vice-presidente corregedor do TRE/RS, Antônio Rodrigues de Freitas, o alto número de abstenções pode estar relacionado ao desencanto da sociedade com a política.
“Os políticos e os partidos devem fazer a sua parte, apresentando boas propostas e projetos. No caso do Rio Grande do Sul, há um desinteresse geral, e o eleitor muitas vezes não está educado para votar”, afirmou.
Outro fator apontado por Freitas é a complexidade do ato de votar. De acordo com ele, em 2026 haverá votação para seis cargos, sendo duas vagas ao Senado. Por falta de atenção, nervosismo ou de forma involuntária, o eleitor pode acabar anulando o próprio voto.
“Temos que perseverar e incutir na cabeça do eleitor que a eleição é o momento para romper com o desencanto na política e nos políticos. É por meio do voto que se obtêm as grandes mudanças necessárias”, completou.
De acordo com o presidente da Agert, Alessandro Heck, o seminário realizado em parceria com o TRE é fundamental.
“Principalmente por dois motivos: um é a conformidade legal, estarmos ao lado das atualizações eleitorais; o outro é a nossa função jornalística, quando feita dentro daquilo que a legislação eleitoral exige neste período”, pontuou.
As eleições de 2026 ocorrerão nos dias 4 de outubro e 25 de outubro (caso seja necessário segundo turno). Neste ano, o voto será dado na seguinte ordem: deputado federal (quatro dígitos), deputado estadual (cinco dígitos), senador pela primeira vaga (três dígitos), senador pela segunda vaga (três dígitos), governador (dois dígitos) e presidente da República (dois dígitos).
Realidade de Passo Fundo
Se em 2024 a abstenção de eleitores nas urnas de Passo Fundo ficou em 24%, o objetivo agora é reduzir esse número. Para Bruno Amaral, presidente da Comissão Eleitoral da OAB de Passo Fundo, é necessário aproximar o eleitor do processo.
“Nós interagimos com as candidaturas, com o Ministério Público e com a Justiça Eleitoral. Temos que levar ao eleitor a ideia de que o voto é um instrumento de cidadania e que a participação no processo eleitoral pode mudar a vida das comunidades”, afirmou.
Para isso, a OAB desenvolve ações junto às escolas, levando temas relacionados à advocacia e à cidadania, incluindo as eleições.
Para o coordenador do curso de Direito da UPF, Rogério Silva, o seminário ocorre pela terceira vez nas dependências da instituição.
“Estamos honrados em receber o evento. Aqui formamos advogados, juízes e promotores. Temos uma cadeira de Direito Eleitoral, que já prepara as pessoas para as atividades dos processos eleitorais.”
Cuidados com a campanha
Além do combate à abstenção, o Seminário Eleitoral também tratou dos cuidados que emissoras de rádio e TV precisam ter durante o período eleitoral.
“A legislação recebe adequações, como, por exemplo, em relação às mídias digitais. São resoluções que adequam a lei eleitoral ao contexto atual”, lembrou o presidente da Agert.
Para 2026, um dos principais cuidados estará relacionado às fake news provocadas pelo uso desenfreado da Inteligência Artificial.
“É muito fácil cair nisso, e é preciso fazer checagem e apuração jornalística rigorosa”, completou.
Na visão do presidente da Agert, cabe aos veículos de comunicação, por meio da credibilidade conquistada, realizar a curadoria das informações e apontar o que é verdadeiro ou falso.
Entre as orientações apresentadas no seminário estavam detalhes sobre o que pode ou não pode ser feito em relação ao uso de alto-falantes e amplificadores; bandeiras; caminhadas, passeatas e carreatas; comícios; comitês de campanha; folhetos, adesivos e santinhos; internet; jornais e revistas; rádio e TV; outdoors; pesquisas eleitorais; telemarketing e reuniões públicas.


