Depois da notícia de que diversas indústrias de carnes fechariam as portas em Passo Fundo em virtude da fiscalização e adequação dos estabelecimentos às leis, a Secretaria de Interior do Município reuniu alguns produtores para esclarecer as normas e firmar compromisso com as empresas. “Nosso objetivo não é fechar nenhuma indústria. Estamos aqui na secretaria para ajudar os produtores. Somos nós que precisamos destas pessoas produzindo e vendendo seus produtos na feira”, enfatizou o titular da pasta Antônio Bortolotti. A reunião foi realizada na sexta-feira (3) e contou com representantes do Sindicato Rural e Emater.
O mal entendido entre o poder público e os produtores começou a partir de duas fiscalizações distintas. A primeira delas promovida pelos médicos veterinários da Secretaria Municipal de Interior. Em junho do ano passado, entrou em vigor a lei complementar nº 413/2017, que, além de outras disposições sobre fiscalização de produtos de origem animal, criou o Serviço de Inspeção Municipal (SIM). A partir desta regulamentação, os servidores da pasta começaram uma rotina de visitas pelas propriedades para orientar a respeito das adequações necessárias. Conforme o secretário, os funcionários foram até os locais e deram prazos para que as mudanças necessárias fossem realizadas de maneira gradativa, sem prejuízo ao orçamento das famílias. Bortolotti garantiu que a secretaria não tem intenção de multar os proprietários, mas sim de ajudá-los a funcionar dentro da lei.
A segunda situação tem relação com o Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF). Diferente do selo SIM, o SUSAF é válido em todo o Rio Grande do Sul. Produtores que vendem para fora de Passo Fundo precisam deste segundo selo de inspeção para atuar. Conforme o secretário, há cerca de sete meses a pasta solicitou uma auditoria do SUSAF, a partir de pedidos dos próprios proprietários, que queriam expandir seus negócios. Quando os inspetores estaduais chegaram ao município, visitaram as propriedades de forma aleatória, o que acabou por assustar alguns.
Apesar da confusão, houve apenas uma baixa de empresa na secretaria. Segundo Bortolotti, o motivo do fechamento não teve relação com a fiscalização, mas com motivos pessoais da família. Segundo levantamento do órgão, três abatedouros, 15 agroindústrias e uma fábrica de laticínios funcionam em Passo Fundo. A informação do fechamento é confirmada pelo representante da Feira do Produtor, Mércio Michel. De acordo com ele, dos oito frigoríficos que comercializam na Gare, somente um parou a produção. No momento apenas dois estão vendendo no local. Os demais pararam de vender seus produtos por outros motivos.


