OPINIÃO

Teclando

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O ronco da térmica

As vibrações sonoras têm efeitos infinitos e inimagináveis consequências. Músicas, obviamente de boa qualidade, nos transpõem para locais que o nosso pensamento delinear. Os acordes desenham paisagens que ganham cores a cada nota. Já os barulhos em geral são irritantes e até podem nos tirar do sério. Inoportunos alto-falantes, gritos, buzinas, apitos ou músicas semitonadas machucam a alma e provocam reações de mal-estar. Agridem o intelecto e o corpo, revoltam e atiçam a ira. Há, porém, alguns ruídos que nos acompanham no cotidiano. Já fazem parte de nossas vidas e estão sempre dando recados aos nossos ouvidos. Soam como sinalizadores, indicam acontecimentos, situações, novidades e até sentimentos. O som de uma sirene é um aviso sonoro, chama a atenção e nos alerta para algo. A campainha, o telefone ou aquele toque do whatsapp são indicativos bem conhecidos. Somos avisados o tempo todo e respondemos aos sinais. Até parece que os nossos reflexos foram treinados para os sons emitidos em nossa volta. 

Na redação temos um ruído que decepciona, gera desilusão e o balanço das cabeças chateadas. É o ronco da garrafa térmica vazia indicando que acabou o café. É um verdadeiro baixo-astral. Aquele som característico do ar com as últimas gotas até poderia ser batizado de quarta-feira de cinzas, porque acaba com a alegria de qualquer um. Provoca decepções individuais com reflexos coletivos. Uns torcem o nariz, outros franzem a testa e alguns murmuram. Mas, dependendo do momento e da ansiedade de cada um, os palavrões saltam pela boca sem o mínimo controle. Aquele ronco é conhecido de todos e produz um desgosto em cadeia. E é exatamente nesse momento que a solidariedade surge em todos os rostos. O apoio moral está nos olhares, uma energia que nos leva a prosseguir mesmo sem um gole de café. Mas, em meio à comoção, sempre surge uma boa alma disposta a passar mais uma garrafa de café. Obrigado colegas. Esse ronco é mais um vínculo de puro carinho na redação.

Feriadão
O feriado é bom para quem viaja, vai acampar ou para uma casa de campo. Mas na cidade a vida fica muito triste. Não foi diferente na última sexta-feira. As ruas de Passo Fundo esvaziaram. E as calçadas ganharam uma cobertura de esterco equino. Estávamos na urbe cercados pelo concreto e com um olfato de campesino. O pior é que os supermercados estavam fechados e, assim, Passo Fundo parecia um deserto. Portas abertas e vitrines iluminadas dão vida à cidade. Portas fechadas deixam a cidade vazia e abandonada. 

Costelão
Domingo, no encerramento do feriadão, os amigos Bruna Borba e Léo Castanho organizaram um encontro no Condomínio Bavária, na orla de Ernestina. O cardápio, adequado ao calendário, teve um dos mais apreciados sabores da culinária sul-rio-grandense: um costelão de 12 horas. Não foram 12, pois bastaram oito horas e já estava no ponto com as ripas pedindo para saltar. Não faltaram os complementos adequados, com destaque para um aipim de prenda prendada. À sombra das árvores, a turma mandou bem. A natureza garantiu um cenário assinado pelo pôr-do-sol. Então, já no segundo expediente, a costela foi para a panela e ganhou a companhia de um arroz arbóreo. E lambemos os beiços mais uma vez. Quando faremos o próximo?

Trilha sonora
Em 1977, Billy Joel lançou um de seus maiores sucessos: Just The Way You Are
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https://bit.ly/1hJ1ZA4

 

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