OPINIÃO

Discurso não debela chama

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Engraçado! A teoria da conspiração é suscitada em vários momentos da história por dois flancos que se consideram direita ou esquerda. A questão voltou à baila quando as labaredas vorazes irromperam na selva amazônica destruindo tudo. Bolsonaro, antes de tentar apagar as chamas levantou a bandeira da soberania como se a invasão não fosse o fogo, mas a tentativa de invasão estrangeira. Um exército de fumaça. É lógico que as potências do mundo europeu e dos EUA querem colocar as patas nas nossas reservas. Isso já vem de muito tempo. O que atrapalhou a efetividade foi a falta de foco na batalha de combate ao fogo. Toda essa conversa fiada retardou ações urgentes e nada ajudou no dever de manter nossa soberania. Os entreguistas devastadores da mata, insuflados pela censura à fiscalização do IBAMA, deitaram e relaram. Além das queimadas históricas que sempre surgem, o esquema criminoso para invadir glebas de reservas sentiu-se entusiasmado. Ameaçaram fiscais. E os madeireiros ilegais afrontaram a ordem nacional. Só depois dos alertas da imprensa e pressões internacionais os garimpos ilegais passaram a ser visitados pela autoridade nos locais onde o exército está presente. Quem invade e mata para destruir matas e rios deturpa a soberania nacional, agora, são estes criminosos. A depredação da natureza conspira contra a vida e o estado soberano. A hora é de combate ao fogo. Isso fortalece a nação, como alertou Horácio: “tua res agitur paries cum proximus ardet” (salva primeiro as tuas coisas quando a parede de teu vizinho estiver pegando fogo). Não dá pra perder tempo atacando índios e conservacionistas.

 

Nacionalismo
Há muitas iniciativas que podem ser tomadas para dar sentido ao nacionalismo. Nossa arte, nossa ciência, nossa gente, rios e matas. O discurso de ódio vicia propósitos sadios.

 

Ciências
As pesquisas brasileiras no campo científico despontam promissoras. A agropecuária (pujante) mostra isso. A ameaça que retira investimento em estudos da saúde e meio ambiente retardam passos de nossa soberania. Vejam que pesquisadores brasileiros ainda se mantêm heroicamente driblando a crise.

 

Plano
Lideranças ambientalistas, depois de nove meses de governo, cobram um plano para o setor. Se tal planejamento já existe, vamos torcer para que seja confessável.

 

Esperança
O endereço da esperança define cada vez mais a multidão dos aflitos. Parece que a palavra perde muito no sentido poético alvissareiro. Walter Benjamin lembra a frase citada Marcuse no final de sua obra “One Dimensional Man”: “Somente na causa daqueles que perderam toda a esperança é que à esperança nos é dada”. A consideração foi mencionada por Mauro Santayana no seu artigo “As Primaveras Prematuras”.


Investigação
O ministro Gilmar, do STF, ordenou que parem as investigações no Rio sobre circunstâncias que cercam Flávio Bolsonaro no caso “rachadinha”. As pessoas têm dificuldade em entender a decisão de Toffoli e Gilmar Mendes, que será apreciada pelo pleno nos próximos dias. Independente do processo judicial, porque não investigar? É o que se pergunta!

 

Que país é este?
A poesia de Affonso Romano de San’Anna é questionamento atual sobre o que se possa pensar sobre nosso enorme país. Há muita loucura no ar que confunde observadores da política. E recordo o que diz nosso poeta e escritor passo-fundense Paulo Monteiro sobre o caráter vaticinador assente no vate (insisto). Assim foram as apocalípticas visões de Castro Alves no alerta em “Bandido Negro”, hoje verdade social na violência do Rio de Janeiro. Em cada palavra um grito de alerta à consciência. Affonso encerra seu poema com realismo chocante: “...Povo/ não pode ser sempre o coletivo de fome. Povo/ não pode ser um séquito sem nome. Povo/ não pode ser o diminutivo de homem. O povo, aliás,/ deve estar cansado desse nome, embora seu instinto o leve à agressão/ em embora o aumentativo de fome possa ser/ revolução.”

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