Passo Fundo tem sete casos positivos de dengue

Em 2019, município registrou três casos da doença

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O número de casos de dengue registrados neste ano em Passo Fundo é mais de duas vezes maior que no ano passado. Enquanto nos 12 meses de 2019 houve confirmação de três casos da doença no município (um autóctone e dois importados), neste ano, em menos de seis meses, sete moradores passo-fundenses já foram infectados pelo mosquito Aedes aegypti. Destes, três são casos autóctones, ou seja, foram contraídos no próprio município, nos bairros Vera Cruz, Vila Luiza e Boqueirão. De acordo com a chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde, Ivânia Silvestrin, a situação chama a atenção por denotar que o vírus está circulando dentro de Passo Fundo. “Esses moradores não se deslocaram a nenhuma outra cidade”, alerta. Os outros quatro casos foram importados de Sarandi, Espumoso, Brasília e um de Mato Grosso.

A alta no número de casos confirmados tem sido registrada em todo o território gaúcho. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS) registrou, até a Semana Epidemiológica 20, 2.810 casos confirmados de dengue, sendo 2,4 mil deles considerados autóctones. No mesmo período de 2019, o número de confirmados não passava de 636. Uma elevação de aproximadamente 440%. Outro dado que chama a atenção é referente ao número de óbitos em 2020: até o momento, quatro pessoas morreram em decorrência do vírus no Estado – duas mulheres em Santo Ângelo e dois homens na cidade de Santo Cristo. O Rio Grande do Sul não registrava mortes por dengue desde 2015.


Infestação do mosquito preocupa especialistas

Ainda conforme dados do CEVS, Passo Fundo está entre os 386 municípios gaúchos atualmente considerados infestados pelo mosquito transmissor da dengue. No último Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), realizado em outubro do ano passado, Passo Fundo apresentava indicador de 0,6 para a presença do mosquito em residências locais. Apesar de ser considerado um índice de baixo risco para epidemia, Ivânia Silvestrin lembra que a pesquisa foi realizada em um período de transição das baixas para as altas temperaturas, com condições climáticas que contribuíram para a queda na infestação.

Para a chefe do Núcleo em Vigilância Epidemiológica, caso um novo LIRAa tivesse sido realizado em março deste ano, conforme estava previsto antes da situação de pandemia se instalar no país, Passo Fundo, provavelmente, teria voltado a figurar na lista de municípios onde a infestação do Aedes aegypti é considerada de alerta ou de alto risco. Em março de 2019, por exemplo, a cada 100 casas visitadas pelas equipes da vigilância, 4,3 tinham a presença do mosquito. “O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente o LIRAa, por conta do coronavírus. Porém, nós [do Núcleo de Vigilância Epidemiológica] não paramos. Suspendemos os trabalhos de campo apenas em abril, durante 30 dias, e em maio retomamos as visitas a domicílio e as buscas pelo mosquito, justamente porque a presença do Aedes aegypti está bem elevada por aqui. Considerando os mosquitos adultos que nossas equipes têm encontrado na cidade, podemos dizer que se o LIRAa tivesse sido realizado em março, o índice seria bem maior que o de outubro”.

A principal preocupação, ainda de acordo com Silvestrin, diz respeito ao número de casos autóctones. “É um quadro bem preocupante. Sempre que temos autóctones, a informação sugere que o vírus está circulando na cidade e a tendência é aumentar ainda mais os casos positivos”, destaca. Ela lembra, também, que no momento o país vive uma das fases mais preocupantes quando o assunto é a dengue: a transição entre verão e inverno. “É sempre nesse período de transição que surge a maior parte dos casos. É uma característica histórica. Nossa atenção segue redobrada até o fim de junho. Depois, no inverno, as condições ajudam no controle do mosquito, mas não o eliminam completamente. É preciso reforçar os cuidados ou teremos uma epidemia. O aumento dos dados em todo o Rio Grande do Sul revela que as pessoas não estão tomando as medidas necessárias”, adverte.


Como evitar a proliferação do mosquito

Para evitar a proliferação do Aedes aegypti, que também transmite zika e chikungunya, é preciso eliminar pontos de água parada, que podem se tornar criadouros do mosquito. Recomenda-se, portanto, vedar caixas d'água, tonéis e latões; guardar garrafas vazias viradas para baixo; guardar pneus sob abrigos; não acumular água nos pratos de vasos de plantas e enchê-los com areia; manter desentupidos ralos, canos, calhas, toldos e marquises; manter lixeiras fechadas; descartar o lixo em locais apropriados; manter piscinas tratadas o ano inteiro; e evitar o acúmulo de entulhos.

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