Canola e trigo mantêm potencial produtivo

Canola apresenta bom desenvolvimento, porém excesso de chuva dificulta manejo e aumenta risco de doenças

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Canola teve área de cultivo ampliada na região de Passo Fundo no ciclo atual - Foto: Luciano Breitkreitz/ONCanola teve área de cultivo ampliada na região de Passo Fundo no ciclo atual - Foto: Luciano Breitkreitz/ON
Canola teve área de cultivo ampliada na região de Passo Fundo no ciclo atual - Foto: Luciano Breitkreitz/ON
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As culturas de inverno mantêm, de maneira geral, um bom potencial produtivo na região de Passo Fundo, apesar das condições de umidade elevada registradas na semana passada. O trigo apresenta diferentes estágios de desenvolvimento conforme a época de plantio e a localização das lavouras, enquanto a canola mais adiantada já se aproxima da formação de grãos.

Segundo dados da Emater, o cenário ainda é positivo, mas o excesso de chuva e a previsão de novas variações de temperatura exigem atenção dos produtores. A avaliação é do gerente regional da Emater, Oriberto Adami. Segundo ele, os períodos de sol registrados recentemente estão sendo importantes para o desenvolvimento das lavouras e também permitem que os agricultores realizem trabalhos que estavam atrasados em razão das condições de umidade do solo.

No caso do trigo, a situação apresenta diferenças dentro da região. Nas áreas semeadas mais cedo e localizadas em regiões de temperaturas mais elevadas, como Machadinho, Maximiliano de Almeida e Paim Filho, as plantas já chegaram aos estágios de espigamento e floração. Já nas proximidades de Passo Fundo, incluindo áreas ao longo da BR-285 e em direção a Carazinho, o desenvolvimento está um pouco mais atrasado.

Nessas lavouras, grande parte do trigo encontra-se na fase conhecida como emborrachamento, período que antecede a emissão da espiga e a floração. Mesmo com o atraso em relação a outras áreas, a avaliação da Emater é de que o potencial produtivo permanece bom. “Com tudo que aconteceu, as culturas de inverno ainda estão numa situação de potencial produtivo bom”, avalia Oriberto.

Umidade aumenta preocupação com doenças

O principal ponto de atenção para o trigo neste momento está relacionado ao manejo fitossanitário. O excesso de umidade do solo tem dificultado a entrada de máquinas nas lavouras para a realização dos tratamentos preventivos. Ao mesmo tempo, a combinação de temperaturas mais elevadas com a presença constante de umidade favorece o desenvolvimento de doenças fúngicas.

Entre os problemas que exigem atenção estão as manchas foliares e, nas próximas etapas do desenvolvimento da cultura, doenças que atingem a espiga, como a giberela. O momento é considerado importante para que os produtores consigam realizar o controle preventivo, mas as condições do terreno nem sempre permitem a entrada dos equipamentos.

A expectativa dos técnicos é de que as próximas chuvas ocorram de forma mais espaçada e acompanhadas de períodos de sol. A alternância entre umidade e luminosidade é considerada fundamental para que as plantas continuem se desenvolvendo sem que aumentem os problemas relacionados a doenças.

Canola apresenta bom desempenho

A canola apresenta uma situação ainda mais adiantada em boa parte da região. As lavouras implantadas durante o mês de maio estão em estágio avançado de desenvolvimento e já iniciaram a formação das síliquas, estruturas onde ocorre a formação dos grãos.

De acordo com Oriberto, aproximadamente 75% da área cultivada com canola apresenta condições consideradas boas. Uma parcela estimada em 25% foi plantada mais tarde e enfrentou dificuldades durante a germinação, principalmente em razão das chuvas torrenciais ocorridas no período de implantação.

A canola possui sementes pequenas e é semeada superficialmente, o que aumenta a sensibilidade da cultura diante de grandes volumes de chuva em curto período. Nessas áreas, o desenvolvimento ficou abaixo do observado nas lavouras implantadas mais cedo. Ainda assim, o potencial produtivo é considerado satisfatório. “Ela está com potencial produtivo bom”, destaca o gerente regional da Emater.

Colheita da canola começa em outubro

O ciclo mais curto da canola faz com que algumas áreas já estejam próximas do período de colheita. Nas lavouras mais adiantadas, principalmente em locais que apresentam condições de microclima favoráveis, a colheita poderá começar dentro de aproximadamente 35 a 40 dias.

De maneira geral, a expectativa é de que outubro concentre o início da colheita na maior parte das áreas. A produtividade esperada permanece positiva, o que também aumenta o interesse dos produtores pela cultura.

Outro fator que contribui para o cenário favorável é o preço do grão. Conforme o gerente da Emater, os valores praticados atualmente estão atrativos e, em algumas situações, próximos ou até superiores aos da soja, dependendo das condições de comercialização.

Apesar disso, o clima continua sendo uma preocupação. Como a canola estará avançando para estágios mais sensíveis, a ocorrência de uma geada ou de uma queda brusca de temperatura poderia provocar perdas. O retorno de temperaturas mais baixas nos próximos dias, portanto, está sendo acompanhado pelos técnicos.

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