Vinte e um dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

Promotoras Legais Populares de Passo Fundo promovem atividades de conscientização no município até o dia 10 de dezembro

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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Dados da Secretaria de Justiça do Rio Grande do Sul mostram que a violência contra a mulher segue fazendo vítimas graves em Passo Fundo. Somente entre os meses de janeiro e outubro deste ano, o município registrou a consumação de três feminicídios e outras nove tentativas do crime, além de 336 mulheres agredidas fisicamente, 671 vítimas de ameaça e 21 de estupro. É para evitar que números como esse continuem crescendo que, desde 2001, as Promotoras Legais Populares (PLPs) de Passo Fundo ajudam a promover a campanha “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”. A programação começou no dia 20 de novembro e segue até o próximo dia 10, com atividades presenciais e virtuais.

Liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU), desde 1991, a campanha convoca países de todo o mundo a discutir questões relacionadas à violência contra a mulher por meio dos “16 dias de ativismo”. A atividade é promovida anualmente, com início no dia 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, e término em 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. No Brasil, porém, a campanha é ampliada e estende-se por 21 dias, iniciando no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a fim de destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras.

A coordenadora das Promotoras Legais Populares de Passo Fundo, Valda Belitzke, explica que a campanha tem como intuito principal estimular a população a denunciar a violência contra a mulher. “Com a pandemia, a gente percebe que a violência aumentou muito, mas diminuíram as denúncias. Então, o que estamos fazendo é chamando as pessoas para que denunciem. Não precisa ser um familiar da vítima, pode ser um amigo, um vizinho que está ouvindo a vítima ser violentada ou ter algum direito violado. Nós temos que nos juntar e denunciar para que isso tenha um fim, não podemos nos calar”, pontua.

 

Programação

Devido à pandemia do novo coronavírus, neste ano, as atividades presenciais da campanha precisaram ser reduzidas e boa parte da programação tem acontecido através de transmissões ao vivo na página da ONG Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, responsável por criar o projeto das PLPs e uma das principais promotoras dos 16 dias de ativismo no Brasil.

Em Passo Fundo, a primeira atividade presencial acontece nesta quarta-feira (25), na Praça do Teixeirinha, a partir das 15h. “Estaremos lá em poucas promotoras, durante apenas uma ou duas horas, para evitar aglomeração. Vamos entregar panfletinhos que falam da história da campanha e que têm informações de endereços e contatos onde as mulheres vítimas de violência podem buscar ajuda”, explica Valda.

A agenda municipal tem continuidade na segunda-feira (30), a partir das 13h30min, quando o município recebe na Praça da Cuia o “Ônibus Lilás”, uma unidade móvel que vai percorrer 16 municípios gaúchos disponibilizando atendimento e material informativo sobre violência de gênero e divulgação dos serviços oferecidos pelo Estado. O automóvel, viabilizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República em parceria com o governo gaúcho, é projetado e adaptado especialmente para o atendimento fora de Porto Alegre, oportunizando auxílio e informação para as mulheres de todo o Rio Grande do Sul, assim como o acesso aos serviços da rede de atendimento à mulher em situação de violência. O ônibus é equipado com duas salas fechadas que garantem a privacidade da vítima, copa, banheiro e uma equipe composta por profissionais das áreas de serviço social, psicologia, atendimento jurídico e segurança pública.

Já no dia 9 de dezembro, às 18h, as promotoras de Passo Fundo participam de uma live na página de Facebook da Themis. O diálogo gira em torno dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e contará com a participação da advogada e sócia da entidade, Domenique Goulart. O encerramento da campanha acontece no dia 10 de dezembro, às 18h, com uma live sobre direitos humanos, ministrada pelo teólogo, escritor e filósofo Leonardo Boff. A transmissão acontece na página do Movimento Nacional De Direitos Humanos.



Como denunciar

Em caso de violência contra a mulher, a população passo-fundense pode denunciar ou buscar aconselhamento através dos seguintes canais:

Brigada Militar: 190

Patrulha Maria da Penha: (54) 9 8423-2056

Delegacia da Mulher – Plantão: (54) 3317-1111

SIM – Serviço de Informação à Mulher: (54) 9 9610-5291

Centro de Referência de Atendimento à Mulher: (54) 3313-8654

Coordenadoria Municipal da Mulher: (54) 3312-8086

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