Passo Fundo vive, ao longo de março, uma série de atividades voltadas à reflexão, valorização e defesa dos direitos das mulheres. A mobilização ganhou novos momentos nessa segunda-feira (9), com um ato simbólico na Câmara de Vereadores e a visita da secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, que reforçou o debate sobre políticas públicas, redes de proteção e enfrentamento à violência.
Na Câmara, o Legislativo realizou o Ato de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio no Rio Grande do Sul, em alusão à Semana da Mulher. A atividade reuniu autoridades e representantes da comunidade em um momento de reflexão e reafirmação de que nenhuma forma de violência contra as mulheres deve ser tolerada.
Também nesta segunda-feira, Passo Fundo recebeu a visita da secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, que cumpriu agenda no município e conheceu a estrutura da rede de atendimento e proteção às mulheres. Durante a visita, ela destacou o papel das cidades com redes estruturadas no enfrentamento à violência e defendeu que essa experiência seja ampliada para outros municípios do Estado. “O que temos observado no Rio Grande do Sul é que as cidades maiores têm redes de proteção organizadas, como é o caso de Passo Fundo, e isso faz diferença no atendimento às mulheres. Nosso desafio é ampliar essa estrutura para municípios menores, onde a incidência de feminicídios tem sido maior”, afirmou.
Segundo ela, o objetivo da visita também foi buscar apoio regional para fortalecer essas políticas. “Vim pedir ao prefeito Pedro que nos ajude a mobilizar a região, conversando com outros prefeitos para que possamos estruturar redes municipais de proteção às mulheres. Passo Fundo já possui uma rede atuante e com bons resultados, e isso pode ajudar no treinamento e no acompanhamento de equipes de outras cidades”, disse.
Mobilização nas ruas
As atividades do mês começaram ainda no fim de semana, com mobilizações organizadas por movimentos sociais e entidades da sociedade civil. No dia 7 de março, de acordo com a organização, cerca de 500 pessoas participaram de um ato de rua no centro de Passo Fundo, em alusão ao Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras.
A manifestação foi motivada pela onda de feminicídios registrada no Rio Grande do Sul. Apenas nos dois primeiros meses do ano, o Estado contabilizou 19 mulheres assassinadas.
A mobilização começou com concentração na Praça da Mãe e seguiu em caminhada pela Avenida Brasil até a Praça da Cuia, onde ocorreu um momento cultural. A organização foi conduzida por diversos movimentos sociais, sindicatos, entidades e partidos, que defenderam maior conscientização coletiva sobre o enfrentamento à violência de gênero.
Apesar de não registrar feminicídios até o momento em 2026, Passo Fundo já contabiliza outros casos de violência contra a mulher. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o município registrou uma tentativa de feminicídio, além de 73 ameaças, 42 denúncias de lesão corporal e sete casos de estupro.
Programação segue até o fim do mês
Além das mobilizações sociais, a Prefeitura de Passo Fundo também organizou uma programação especial ao longo de março, com ações voltadas à saúde, autonomia econômica, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
A coordenadora da Mulher, Danúbia Samora, destaca que a programação do mês busca dar visibilidade às políticas públicas e ampliar o acesso das mulheres aos serviços disponíveis. “Março é um período importante para dar visibilidade às pautas das mulheres, mas principalmente para fortalecer políticas públicas que já fazem a diferença no dia a dia. A programação foi pensada para promover informação, acolhimento, autonomia e também para lembrar que existe uma rede preparada para apoiar e proteger as mulheres de Passo Fundo”, afirma.
Entre as atividades realizadas no fim de semana esteve a mateada em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, no domingo (8), na Gare, com feira de artesanato, apresentações artísticas e oferta de serviços à comunidade.
Nos próximos dias, a agenda inclui encontros sobre a rede de proteção no CRAM, ações de saúde nas unidades básicas durante o chamado “Março Lilás”, rodas de conversa sobre violência doméstica, atividades de planejamento familiar, além de palestras sobre saúde e autocuidado.
A programação também prevê eventos voltados ao empreendedorismo feminino e à qualificação profissional, como encontros com mulheres participantes de programas municipais de geração de renda.
As atividades seguem até o dia 31 de março, com uma feira de saúde e autocuidado aberta à comunidade, reforçando a proposta de ampliar o debate, fortalecer redes de apoio e incentivar políticas públicas voltadas às mulheres no município.



