OPINIÃO

Conjuntura Internacional

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A semana que passou foi marcada pela escalada de tensões entre Israel e Palestina, como não se via nos últimos anos (desde 2014), com o risco de se aprofundar em uma guerra maior, com consequências severas, ao passo em que o Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirma que o fogo continuará e o líder do Hamas afirma estar pronto para eventual escalada. Até o fechamento da coluna (12/05), mais de mil mísseis já haviam sido lançados contra Israel, seguidos pelos contra-ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza. A maior parte dos mísseis advindos de Gaza foram interceptados pelo moderno sistema antiaéreo de defesa israelense. A escalada de tensões ocorre após, praticamente um ano, de relativa calmaria nas fronteiras de Israel e Palestina.

 

A mudança nos ataques 

Conforme alguns analistas geopolíticos, a mudança nos ataques do Hamas e do grupo terrorista Jihad Islâmica, contra Israel, se deu na perceptível alteração no modus operandi, ou seja, se antes esses grupos atacavam, principalmente, a região sul do território israelense, os ataques recentes atingiram diretamente, Jerusalém. Na terça dia 11/05 os mísseis atingiram Tel Aviv e a região central de Israel, obrigando muitos israelenses a se esconderem em abrigos e fechando o aeroporto internacional do país, em uma escalada sem precedentes. A evidente mudança nos ataques do Hamas e Jihad Islâmica obrigaram Israel a uma pronta resposta militar na Faixa de Gaza.

 

Eleições 

A postergação indefinida nas eleições palestinas, por ordem da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, parece ter enfurecido o grupo terrorista Hamas. A eleição seria a primeira desde 2006. Abbas cancelou as eleições, com receio da perda de seu favoritismo, uma vez que em pesquisa recente, 37% dos palestinos afirmaram que uma luta armada é a única solução para superar a crise com Israel, comparados com os 36% favoráveis às negociações. Destarte, os recentes ataques do Hamas acabam por servir a sua base eleitoral. Assim, o Hamas pressiona e pune Abbas, buscando para si o papel de “protetor de Jerusalém”. No longo prazo, Israel terá de lidar com a sua população árabe-israelense, cerca de 20%, que começa a intensificar os protestos.

 

Reações Internacionais 

As peças do tabuleiro internacional começam a se movimentar. Até o fechamento da coluna, a Organização das Nações Unidas (ONU), mais especificamente o seu Conselho de Segurança, começou a articular uma reunião para discutir a escalada do conflito. O temor é uma guerra em larga escala. A Casa Branca, por seu turno, defendeu amplamente o direito de Israel em se defender. A tensão não ficaria restrita entre Israel e Palestina, mas se estenderia ao Oriente Médio. Um exemplo é a posição do Irã e seu aiatolá, Ali Khamenei, que está incentivando o Hamas e seus ataques contra Israel.

 

Um teste para Biden? 

No momento em que o governo americano busca uma retirada da geopolítica do Oriente Médio e um enfoque maior na região Ásia-Pacífico, a escalada de tensões obriga Washington a reavaliar os cenários, inclusive os militares, uma vez que Israel é um importante aliado. 

  

 

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