“Ser pai e ser mãe ao mesmo tempo me deixa mais forte”

Técnico em enfermagem, Igor cuida sozinho da pequena Cecília, enquanto esposa permanece internada na UTI por complicações da Covid-19

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Igor com a pequena Cecília, a bebê agora tem três meses (Foto: Arquivo Pessoal)Igor com a pequena Cecília, a bebê agora tem três meses (Foto: Arquivo Pessoal)
Igor com a pequena Cecília, a bebê agora tem três meses (Foto: Arquivo Pessoal)
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O primeiro dia dos pais de Igor Luan Ximenes de Paula, 25 anos, com a filha Cecília será longe da esposa. O técnico de enfermagem do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) está vivendo a paternidade sozinho, enquanto a mãe do bebê permanece internada na UTI se recuperando da Covid-19. 

Igor trabalha com pacientes da doença no centro cirúrgico do hospital, mas não esperava enfrentar essa situação dentro da própria família. “Eu achei que isso nunca aconteceria comigo”. Jéssica Boeira Lunelli, 32 anos, estava na 33º semana da gravidez quando começou a sentir os sintomas da Covid-19. Levada para o hospital, teve de ser submetida a uma cesariana de emergência no dia 26 de abril. Quase quatro meses depois, ela segue internada na UTI e seu estado de saúde é considerado grave. 

 Além de aguardar a recuperação da esposa, Igor precisou encarar os primeiros meses de Cecília sozinho. “Foi um período muito difícil, de adaptação, a gente tem que aprender a trabalhar nas dificuldades”, relata. Com o nascimento prematuro da filha e sem a presença da mãe, ele precisou tirar férias. De volta ao trabalho, divide o tempo no hospital e os cuidados da pequena.

 “Ser pai e ser mãe ao mesmo tempo me deixa mais forte. É uma situação que mudou da água para o vinho. Cuidar de uma criança sem aquela atenção mais delicada da mãe é diferente. Tem que se adaptar a uma rotina. Alimentar, acordar de madrugada para ver se está respirando. Situações que marcam nossa trajetória como pai. Para mim é muito forte ser pai. Estou muito feliz com o nascimento da nossa filha, é através dela que tiramos forças para seguir batalhando, tendo fé que vai melhorar, ficar bem”, relata emocionado. 

Cecília ficou internada por em torno de dez dias e logo foi para casa (Foto: Arquivo Pessoal)

Vídeo

Igor também registrou sua história em um vídeo produzido para o Instituto do Câncer Infantil do Rio Grande do Sul em alusão ao Dia Nacional da Saúde. A intenção da proposta é “unir forças e mobilizar hospitais parceiros durante o mês de julho, para incentivar os profissionais de linha de frente a escreverem suas histórias contando como tem sido a experiência durante todo o período da Covid-19 no Brasil.

A ação “Marcas da Esperança” teve o objetivo de contar um pouquinho sobre as marcas que as histórias de outras pessoas deixaram na vida dos trabalhadores, marcas que estão no rosto e na trajetória dos profissionais que trabalham na área da saúde. As marcas da esperança acompanharam a luta destes profissionais pela vidas que cruzaram os seus caminhos. Ao todo foram 19 histórias enviadas por diferentes hospitais.



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