O custo da cesta básica passo-fundense tem impactado negativamente no poder de compra dos passo-fundenses. Na prática, uma família típica gasta mais do que um salário mínimo nacional para comprar os produtos essenciais para alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica, valor que chegou a R$ 1.603,83 em maio. O dado consta no último levantamento do Centro de Pesquisa e Extensão da Escola de Ciências Agrárias, Inovação e Negócios da Universidade de Passo Fundo (Esan/UPF),
Conforme os resultados obtidos pelos pesquisadores, verificou-se que o custo dos produtos apresentou uma alta de 2,24% em maio de 2025, quando comparado com os preços médios praticados no mês anterior. A cesta partiu de um valor de R$1568,62 para R$1603,83, o que representa uma alta de R$35,21.
Dos 42 itens pesquisados, 19 tiveram aumento e 23 ficaram mais baratos, sendo que, entre os dez produtos que obtiveram maior alta de preços, seis são pertencentes ao grupo da alimentação, quatro ao grupo da higiene pessoal e nenhum ao grupo da limpeza doméstica. Já entre os dez itens que apresentaram maior queda, nove pertencem ao grupo de alimentação, nenhum ao grupo da limpeza doméstica e um ao grupo da higiene pessoal.
As maiores elevações foram registradas no shampoo (63,55%), papel higiênico (14,12%) e vinagre (12,56%); enquanto as maiores quedas foram constatadas no tomate (-23,12%), mamão (-21,75%) e banana (-16,64%).
Poder de compra
Os dados levantados demonstram que uma família típica necessitava em maio de 2024 de 1,06 salários mínimos para adquirir a cesta de produtos básicos. Apesar de agora a mesma cesta custar também 1,06 salários mínimos, como houve um aumento no salário de R$1412,00 para R$1518,00, na prática, registra-se perda do poder de compra nos últimos 6 meses.
“Se nós pensarmos que há seis meses nós precisamos de 0,97, ou seja, 97% de um salário para comprar a cesta básica, e hoje nós precisamos de 1.06, representando 106% de um salário mínimo, isso significa que nos últimos seis meses nós tivemos uma perda bem impactante no poder de compra, a ponto de nós termos que gastar mais para comprar o mesmo volume de produtos”, compara o professor do Curso de Ciências Econômicas/ESAN/UPF e coordenador da pesquisa, Julcemar Bruno Zilli. Esse poder de compra, relaciona, nada mais é do que quantos salários mínimos são necessários para comprar a cesta básica.

Comparativo anual
Na variação mensal dos últimos 12 meses, os pesquisadores verificaram que a evolução do custo da cesta básica passo-fundense aumentou 2,24%, passando de R$1493,03 em maio de 2024 para R$1603,83 em maio de 2025. Dessa forma, a cesta apresentou uma alta de R$110,80 em relação ao mesmo período do ano passado.
Mês a mês, entre maio de 2024 a maio de 2025, a cesta variou seis vezes de forma negativa e sete vezes de forma positiva. A maior variação foi no mês de março de 2025, com uma oscilação positiva de 4,27%.
A variação acumulada da cesta básica de Passo Fundo nos últimos doze meses é de 6,07%.
A pesquisa
O boletim mensal é realizado há mais de três décadas pela universidade, com o objetivo de revelar um preço médio dos produtos na cidade. A coleta desses dados iniciou em 1992, e tem por base a visita da equipe aos pontos de venda cadastrados no centro e bairros. Para o estudo e definição de itens, é considerada uma família composta por quatro pessoas.



