O som das sirenes e o giroflex são sinais claros de que um veículo de emergência está em deslocamento prioritário. Em Passo Fundo, a cena é frequente: ambulâncias do SAMU e de outros serviços de socorro cruzam as ruas em busca de chegar o mais rápido possível a pacientes em situação de risco. O desafio, no entanto, vai além da urgência médica. O trânsito, especialmente nos horários de pico, é um obstáculo que pode custar minutos preciosos — e, em alguns casos, vidas.
Motoristas de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) relatam que a dificuldade mais recorrente é a falta de preparo dos condutores comuns para reagir adequadamente diante de um veículo de emergência. “Muitos se apavoram com o barulho e não sabem o que fazer. Não é só puxar o veículo para o lado. Às vezes, é avançar um pouco para abrir espaço. Isso deveria ser reforçado desde a autoescola”, afirma Giulianno Vitor Mello de Oliveira, há um ano no SAMU.
Dionatan Souza da Silva, também condutor da instituição, complementa: “Há motoristas que cedem passagem rapidamente, mas outros hesitam ou simplesmente não se movem. Tem gente que nos vê chegando e não abre caminho. É raro, mas acontece”.
Além da resistência de alguns motoristas, fatores imprevistos complicam o deslocamento, como pedestres distraídos ou crianças atravessando repentinamente. “Precisamos de agilidade, mas também garantir a segurança da equipe, do paciente e de todos ao redor”, acrescenta Dionatan.
Dois minutos que fazem diferença
Cada minuto de atraso pode ter impacto direto no desfecho de um atendimento. “Quem acha que um minuto não faz diferença, tente ficar um minuto sem respirar. Vai ver como é uma eternidade. Trabalhamos com vidas”, alerta Giulianno.
Segundo os condutores, a escolha das rotas é feita de forma dinâmica, conforme as condições do trânsito. Atalhos e desvios são aprendidos na prática, mas, mesmo assim, os obstáculos podem causar atrasos médios de até dois minutos por ocorrência. Em emergências graves, esse tempo pode definir entre a recuperação e a perda.
A legislação e a prioridade
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no artigo 189, estabelece que ambulâncias e demais veículos de emergência têm prioridade de passagem quando estiverem com sirene e luzes intermitentes acionadas. Negar passagem é infração gravíssima, com multa e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
De acordo com o secretário adjunto de Segurança Pública, Ruberson Stieven, o município registra cerca de 100 passagens diárias de viaturas de socorro em cruzamentos monitorados por câmeras. “Os equipamentos, além de anular infrações quando constatada a abertura de passagem, também podem multar motoristas que não cedem espaço”, explica Stieven.
Além do SAMU, Passo Fundo conta com outros cinco serviços de urgência e emergência: Bombeiros, União, Prado, Argos e Unimed — todos enfrentando a mesma realidade no trânsito.
Como agir diante de uma sirene
As orientações são claras. Mantenha a calma e sinalize as manobras. Encoste o veículo à direita (evite parar em cruzamentos). Mantenha distância do carro à frente para permitir manobras.
“Quando um veículo de emergência se aproxima, os motoristas devem manter-se na faixa da direita. Muitos vão para a esquerda e param, mas o correto é justamente deixar a faixa da esquerda livre, deslocando-se para a direita”, esclarece Giulianno.
Empatia que salva
Para os profissionais do socorro, ceder passagem é mais do que uma obrigação legal: é um gesto de empatia. “A chance de um dia estarmos dentro de uma ambulância é de 100%. Pode não ser hoje, mas amanhã pode ser. Dar passagem é cuidar do próximo”, reforça Giulianno.
Enquanto para alguns a sirene é apenas um ruído no tráfego, para as equipes de emergência ela marca uma corrida contra o tempo — onde cada segundo pode significar a diferença entre a vida e a morte.



