DetranRS retira baliza da prova prática para primeira CNH no Estado

Especialista alerta que conjunto de flexibilizações pode comprometer a formação e a segurança no trânsito

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A alteração segue a diretriz nacional de tornar o exame mais conectado à realidade do trânsito cotidiano - Foto: DivulgaçãoA alteração segue a diretriz nacional de tornar o exame mais conectado à realidade do trânsito cotidiano - Foto: Divulgação
A alteração segue a diretriz nacional de tornar o exame mais conectado à realidade do trânsito cotidiano - Foto: Divulgação
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Desde quarta-feira (4), o teste de baliza deixou de ser exigido como etapa isolada no exame prático para aquisição da primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Rio Grande do Sul. A mudança foi implementada pelo DetranRS após a publicação do novo Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, elaborado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e passa a valer em todo o estado.

Com a nova regra, a avaliação prática concentra-se no trajeto realizado em via pública. O candidato continua sendo avaliado em condições reais de trânsito, conduzindo o veículo em ruas e avenidas, e finaliza o teste com a manobra de estacionamento, agora integrada ao percurso e não mais como prova específica.

Segundo o DetranRS, a alteração segue a diretriz nacional de tornar o exame mais conectado à realidade do trânsito cotidiano.

Mudança no modelo de avaliação

Para a especialista em Gestão e Educação para o Trânsito, Raquel Rubio, a retirada da baliza como prova isolada representa uma mudança relevante no modelo de formação e avaliação dos novos condutores. Ela explica que o novo manual entende que o estacionamento deve ser analisado de forma integrada à condução do veículo, como ocorre no dia a dia, e não como uma execução pontual e descontextualizada.

“O Senatran entendeu que a baliza, da forma como estava sendo aplicada, era pouco conectada com a realidade do trânsito. Por isso, deixa de ser uma prova separada e passa a ser avaliada dentro do trajeto, como o estacionamento que fazemos no cotidiano”, afirma.

Apesar disso, a especialista faz um alerta. Para ela, a retirada da baliza, quando analisada de forma isolada, pode até fazer sentido, mas o problema está no conjunto de mudanças recentes no processo de habilitação. Entre elas, Raquel destaca a redução do número mínimo de aulas práticas obrigatórias e a flexibilização do curso teórico, que passou a ser ofertado de forma online, sem a exigência da prova teórica presencial como regra geral.

“Menos aulas práticas, menos vivência real no trânsito e menos avaliação presencial de conhecimento podem, sim, comprometer a formação dos novos condutores. O processo de habilitação não pode ser apenas facilitado, ele precisa ser eficaz”, ressalta.

Formação e segurança

Raquel Rubio lembra que o Código de Trânsito Brasileiro estabelece que a habilitação deve formar condutores aptos técnica, cognitiva e comportamentalmente. Segundo ela, a segurança viária se constrói com mais educação, mais prática e mais responsabilidade, e não apenas com a redução de reprovações.

A especialista avalia que o risco não está exclusivamente na retirada da baliza, mas no acompanhamento insuficiente das mudanças por parte dos órgãos de trânsito, dos CFCs e da sociedade. “O perigo é que a simplificação do processo resulte em condutores menos preparados para circular nas ruas e avenidas”, alerta.

Estatísticas e preocupação com o futuro

Ao tratar das estatísticas de trânsito, Raquel chama atenção para os números atuais. Segundo ela, o Brasil registra, em média, cerca de 35 mil mortes por ano em decorrência de acidentes de trânsito, além de um número estimado três vezes maior de pessoas que ficam com algum tipo de sequela.

Ela cita que, de fato, dificilmente alguém morre no trânsito por não saber estacionar, mas destaca que o processo de habilitação como um todo contribui para dar confiança e controle ao motorista. “Dirigir é um ato muito importante no nosso dia a dia e exige preparo. Assim como um médico ou um advogado precisam estudar, o condutor também precisa passar por uma formação sólida”, compara.


Fim das reprovações automáticas

Outro ponto previsto no novo manual é o fim da lógica punitiva baseada em faltas eliminatórias automáticas. A partir de agora, o desempenho do candidato será analisado de forma proporcional, considerando o conjunto da condução e não apenas erros pontuais.

Situações como deixar o veículo morrer ou precisar de pequenas correções ao estacionar não resultam mais em reprovação imediata. O foco passa a ser o comportamento geral no trânsito, incluindo atenção, respeito às leis, uso adequado dos equipamentos e interação segura com outros veículos e pedestres.

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