Uma jovem de 20 anos que estava internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, foi transferida para um leito após suspeita de ter ingerido bebida alcoólica contaminada com metanol. Segundo boletim divulgado na quinta-feira (9) pela instituição hospitalar, o estado de saúde da paciente é estável, e o resultado dos exames devem ser divulgados ainda nesta sexta-feira (10).
A Secretaria Estadual da Saúde confirmou, na noite de quarta-feira (8), a notificação do primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol no município. A paciente teria ingerido uísque e procurado atendimento médico na terça-feira (7).
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou que o caso é tratado como suspeito e que não há autorização legal para divulgação de informações sobre o local do ocorrido ou a marca da bebida. O município segue as orientações da Nota Técnica Conjunta SES e SSP nº 001/2025, que estabelece o manejo e a notificação de casos de possível intoxicação por metanol.
De acordo com informações da Vigilância em Saúde do município, todas as medidas previstas no protocolo estadual foram adotadas, incluindo a investigação e o encaminhamento de amostras para análise. A Polícia Civil recolheu a bebida supostamente consumida para posterior envio para exame pericial. Amostras de sangue da paciente também foram encaminhadas ao Centro de Informação Toxicológica (CIT). “A Vigilância em Saúde realizou todas as ações previstas no protocolo, incluindo a investigação do caso. O recolhimento da bebida foi feito pela Polícia Civil, que encaminhou o material para exame pericial”, destaca a nota da Secretaria.
Investigação
O delegado titular da 6ª Delegacia Regional de Polícia, Adroaldo Schenkel, que acompanha o caso, explicou como ocorre o processo de investigação nesses casos. “O primeiro passo é confirmar se a pessoa que consumiu a bebida apresenta sinais de intoxicação por metanol. Esse exame é rápido, leva um ou dois dias. Se o resultado for negativo, o caso é encerrado. Caso seja confirmado, a perícia analisará o conteúdo da bebida e, se necessário, outras garrafas apreendidas do mesmo vendedor. Esse processo pode levar cerca de 30 dias”, aponta o delegado.
Prevenção
O chefe do Núcleo de Vigilância Sanitária, Samuel Oro da Silva, destacou que o município já vinha adotando medidas preventivas. “A Vigilância Sanitária municipal já se preocupa há tempos com essa situação. Inclusive, realizamos oficinas de treinamento para identificação de bebidas falsificadas meses antes dessas ocorrências”, afirmou.
Samuel também lembrou que a responsabilidade da fiscalização é compartilhada. “A Vigilância Municipal fiscaliza o comércio de bebidas, não a fabricação, que é atribuição do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). As fiscalizações são rotineiras e também ocorrem a partir de denúncias registradas na Ouvidoria Municipal. Quando há irregularidades, é aberto um processo administrativo e os produtos são apreendidos, em integração com os órgãos de segurança pública”, ressalta.
Além do caso suspeito em Passo Fundo, o Estado investiga outros três casos em Porto Alegre, Novo Hamburgo e Viamão. O primeiro caso confirmado no Rio Grande do Sul é de um homem de 42 anos, residente em Porto Alegre, que teria consumido destilado em São Paulo. Ele já recebeu alta hospitalar.
Conforme boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registra 259 casos notificados de intoxicação por metanol, sendo 24 confirmados e cinco óbitos.


