MP anuncia operação para combater abusos na véspera da Procissão de São Cristóvão

Fiscalização integrada reunirá forças de segurança para coibir bloqueio de garagens, consumo de bebidas em vias públicas, perturbação do sossego e outras irregularidades registradas na região do Boqueirão

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Promotor Paulo Cirne (E) anunciou a operação durante reunião na Câmara de Vereadores - FOTO: GERSON LOPES/ONPromotor Paulo Cirne (E) anunciou a operação durante reunião na Câmara de Vereadores - FOTO: GERSON LOPES/ON
Promotor Paulo Cirne (E) anunciou a operação durante reunião na Câmara de Vereadores - FOTO: GERSON LOPES/ON
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O Ministério Público Estadual anunciou na manhã de hoje (16) uma operação integrada para fiscalizar e coibir irregularidades registradas na véspera da tradicional Procissão de São Cristóvão, em Passo Fundo. A ação ocorrerá no sábado que antecede a celebração religiosa, marcada para o dia 26 de julho, e contará com a participação de órgãos de segurança pública e da Prefeitura.

A iniciativa foi motivada pelo aumento das reclamações de moradores da região do Boqueirão, onde, nos últimos anos, centenas de pessoas passaram a se concentrar na noite anterior à procissão. Segundo os relatos, o que deveria ser apenas um momento de preparação para o evento religioso acabou se transformando em grandes confraternizações em vias públicas, provocando transtornos como bloqueio de garagens, excesso de barulho, consumo de bebidas alcoólicas e desrespeito às normas de trânsito.

De acordo com o promotor de Justiça Paulo Cirne, a intenção da operação não é impedir que a população participe da tradicional procissão, mas garantir que a preparação para o evento ocorra dentro da legalidade e sem prejudicar os moradores da região.

Reclamações aumentaram nos últimos anos

Paulo Cirne afirmou que o problema se agravou significativamente nas últimas edições da festa. Conforme explicou, o estacionamento de caminhões e veículos para participação na procissão sempre fez parte da tradição, mas a situação passou a fugir do controle quando grupos começaram a utilizar o espaço público para promover festas que se estendem durante toda a madrugada.

Segundo o promotor, as denúncias recebidas pelo Ministério Público descrevem veículos estacionados em frente às entradas de residências e prédios, impedindo moradores de entrar ou sair de casa. Além disso, foram relatadas instalações de churrasqueiras, mesas, chopeiras e equipamentos de som em ruas e estacionamentos da região. “O estacionamento dos veículos não representa problema, desde que respeite as leis de trânsito. O que não pode acontecer é transformar as ruas em locais de festa, causando transtornos à comunidade”, destacou.

Ainda conforme o promotor, as situações registradas envolvem possíveis infrações à legislação de trânsito, crimes ambientais relacionados à poluição sonora e também descumprimento da legislação municipal que restringe o consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos.

Operação terá caráter preventivo e fiscalizador

A força-tarefa reunirá diferentes órgãos públicos. Participarão da operação equipes da Brigada Militar, incluindo o Batalhão de Choque, Polícia Ambiental e o Regimento de Polícia Montada, além de fiscais de trânsito e servidores da Prefeitura ligados à fiscalização de atividades econômicas.

A orientação do Ministério Público é para que grupos interessados em realizar confraternizações utilizem espaços privados, como salões de festas, sedes de empresas ou clubes, evitando a ocupação das vias públicas. Segundo Paulo Cirne, a divulgação antecipada da operação tem justamente o objetivo de evitar surpresas. “Nós estamos avisando antes para que as pessoas reorganizem seus encontros. Quem quiser confraternizar pode fazer isso em local privado. O que não será permitido é transformar a frente das casas e das empresas em espaços de festa”, afirmou.

Inicialmente, o trabalho será voltado à orientação da população. Entretanto, caso ocorram novas irregularidades durante a noite de sábado, os órgãos envolvidos poderão aplicar medidas administrativas e legais previstas na legislação.

Moradores relatam noites sem dormir

Quem vive na região afirma que o problema ultrapassa o incômodo provocado pelo barulho. Uma moradora, que reside no Boqueirão há aproximadamente cinco décadas e preferiu não se identificar, relata que a situação começou a se intensificar após a pandemia e vem piorando a cada ano. Segundo ela, a movimentação inicia ainda durante a tarde de sábado, quando grupos começam a ocupar estacionamentos particulares e áreas próximas às empresas.

Conforme anoitece, churrasqueiras são montadas, caixas de som são ligadas e o consumo de bebidas alcoólicas se estende durante toda a madrugada.

A moradora afirma que, em muitos casos, os participantes bloqueiam completamente as garagens das residências. “Chega um momento em que não conseguimos entrar nem sair de casa com o carro. Eles estacionam em frente aos portões e simplesmente permanecem ali durante toda a noite”, relata.

Ela também descreve um ambiente de insegurança para quem tenta dialogar com os participantes das festas. “Muitas pessoas já estão alcoolizadas. Quando algum morador tenta conversar, acaba sendo desrespeitado. Até mesmo quando a Brigada Militar é acionada existem situações de enfrentamento.”

Idosos deixam suas casas para conseguir descansar

Os transtornos, segundo a moradora, afetam especialmente idosos, crianças e pessoas com necessidades especiais. Ela conta que seus pais, de 80 e 77 anos, passaram a deixar a residência todos os anos na véspera da procissão para conseguir dormir em outro local. Outros vizinhos, afirma, chegam a reservar hotéis para fugir do barulho. Além da poluição sonora provocada por músicas em alto volume e pelo intenso fluxo de veículos, ela relata que motociclistas circulam acelerando e utilizando buzinas durante toda a madrugada.

Outro problema apontado é a grande quantidade de lixo deixada nas ruas após a concentração. Conforme os moradores, embalagens, restos de alimentos e bebidas ficam espalhados pela via pública, obrigando os próprios residentes a realizarem a limpeza no dia seguinte. Também há relatos de pessoas utilizando calçadas, esquinas e terrenos próximos como sanitários improvisados, agravando ainda mais os transtornos enfrentados pela comunidade.

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