Em janeiro de 2024, O Nacional anunciava “A Catedral Nossa Senhora Aparecida será reformada”. Agora, quase dois anos depois, o padre Ari Antônio dos Reis informa que “as obras chegam a 50% e está na fase final da pintura interna”. Não estamos abordando a reforma de um prédio qualquer, pois a imensa igreja foi erguida para abrigar a então Paróquia Nossa Senhora Aparecida, porém, em 22 de julho de 1951, ali foi instalada a Diocese de Passo Fundo tendo como primeiro bispo Dom Cláudio Colling. Isso significa que a intervenção exige delicadas incumbências, onde o respeito e zelo pela arte sacra está intrínseco: vitrais, restauro e pintura das paredes externas e internas, fachada frontal, laterais e fundos da igreja. De acordo com o pároco da Catedral “em 2026 será restaurada a parte externa da frente do prédio e também suas laterais”.
Natal
As atividades de restauração estão bastante alinhadas com o calendário. E, no adequado tom cristão para um templo católico, a conclusão da parte interna aponta para finalização antes do Natal. “Estamos na fase de pintura interna e de iluminação, o que vai valorizar a arte interna”, disse em relação às imagens da Natividade, do Ressuscitado e de Pentecostes. E, assim, com andaimes elétricos, cheiro de massa corrida e tinta, uma equipe cuida dos ajustes do espaço para as obras que ficam à esquerda de quem entra no templo. O hall principal recebe os últimos retoques na pintura. Um trabalho que está em ritmo acelerado. Enfim, o Natal é logo ali.
A viagem dos painéis
Quando o padre Ari fala sobre os vitrais é indisfarçável o tom carinhoso. “Os vitrais estão concluídos. Uma obra muito bem feita. Mudou bastante a iluminação”, destaca. Para o restauro dos vitrais foi necessário um planejamento que incluiu uma delicada logística, diante do potencial artístico e sagrado das peças. “Os 14 painéis representam as 14 estações da Via Sacra”. E não vidros pintados. A complexidade é maior, pois, como num quebra-cabeças, as imagens surgem na delicada montagem de peças coloridas de vidro. Os vitrais foram fabricados pela renomada Casa Genta, em trabalho artesanal do artista alemão Max Dobmeier e do espanhol Francisco Huguet. Os painéis foram de Passo Fundo para a empresa do arquiteto Cristiano Fabris, em Guaporé, e retornaram restaurados.
Antes e depois
Mesmo bem conservadas, as peças foram confeccionas a partir de 1947. Após décadas, não escaparam das marcas do tempo. Muitos blocos estavam abaulados e as peças registravam o acúmulo de fuligem. No início deste ano, padre Ari explicou que “a olho nu a gente não consegue perceber o estrago”. Agora, após o processo de recuperação, literalmente, o resultado brilha aos olhos. Além da melhor nitidez das imagens retratadas nos painéis, aumentou a luminosidade no ambiente. “Mudou bastante a iluminação”. Mas, assim como a cidade cresceu, o entorno da Catedral também ficou à sombra de novos prédios. “Isso diminuiu a entrada de luz. Para destacar os painéis e a beleza do prédio, vamos colocar uma iluminação externa”. O pároco passou a proposta para análise da arquiteta Maria Inês Bolson Lunardini, a especialista em arquitetura sacra responsável pela reforma.
Dando corda ao relógio
Parado há mais de três anos, o relógio da Catedral Metropolitana de Passo Fundo voltou a funcionar. Mas foi por apenas alguns dias. “O senhor Dauri veio de Marques de Souza e trabalhou para colocar o relógio novamente em funcionamento. Levou um dia e meio e arrumou. Mas funcionou apenas de terça a sábado”, conta Padre Ari dos Reis. Ocorre que o sistema do complexo e imenso relógio entre as torres da Catedral está interligado aos sinos que, além de alertar para as missas, também marcam as horas: uma balada 15 minutos, duas badaladas meia hora, três 45 minutos e quatro hora cheia, seguidas pelo número equivalente a hora.
Mordaça
Há alguns anos, os sinos foram silenciados e proibidos das 22 às 07 horas, por motivação ambiental. Enquanto há o silêncio dos sinos, outros geradores de ruídos como veículos, clubes e baladas propiciam barulho bem maior. “Usamos forração acústica e até desligamos os sinos em respeito à comunidade”, explicou Padre Ari. Porém, como a mordaça aos badalos não integra a concepção do complexo relógio, a intermitente desconexão aos sinos prejudica o funcionamento do mecanismo do relógio. E, assim, seus ponteiros param o útil e tradicional indicativo das horas. Então, mais horas de espera, para que Dauri, um dos raros relojoeiros que conhece o sistema, retorne para tentar uma solução. Ao que parece, os novos tempos prejudicam a marcação do próprio tempo.


