Ações resgatam memória da ditadura militar em Passo Fundo

Programação inclui debate, propostas de reconhecimento histórico e projeto de visitas guiadas pela cidade

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Monumento na Praça Tochetto homenageia os 10 anos da Ditadura Militar no Brasil - FOTO: DIVULGAÇÃO  Monumento na Praça Tochetto homenageia os 10 anos da Ditadura Militar no Brasil - FOTO: DIVULGAÇÃO
Monumento na Praça Tochetto homenageia os 10 anos da Ditadura Militar no Brasil - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A partir de amanhã, Passo Fundo recebe uma série de ações voltadas à promoção da memória, verdade e justiça sobre os fatos que marcaram a ditadura militar no município. A programação inicia nesta terça-feira (31) com o debate “Ditadura: Memória, Verdade e Direitos Humanos em Passo Fundo”, às 19h30, no prédio do curso de Direito da Universidade de Passo Fundo.

A iniciativa integra um conjunto de atividades organizadas por entidades e movimentos sociais, que também preveem ações culturais, propostas ao poder público e projetos educativos para resgatar e preservar a história local.

Programação e mobilização

Representante da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renap/RS), Leandro Scalabrin explica que as atividades estão inseridas em um contexto simbólico. “O dia 24 de março é o Dia Internacional pelo Direito à Verdade sobre violações de direitos humanos, e ele se aproxima do 31 de março, data do golpe militar no Brasil. Por isso, nesta semana vamos realizar uma série de eventos sobre memória, verdade e justiça”, afirma.

Além do debate na UPF, a programação inclui, no dia 1º de abril, uma atividade cultural com música e poesia promovida por coletivos locais, abordando os impactos da ditadura na cultura brasileira.

Marcas da memória

Um dos principais encaminhamentos é a proposta de criação de uma política pública de memória em Passo Fundo. A ideia é identificar e sinalizar locais da cidade onde ocorreram violações de direitos humanos durante o regime militar.

Entre os pontos citados estão o antigo quartel do Exército, áreas da Avenida Brasil, o prédio que abrigou a antiga Câmara de Vereadores — onde ocorreram cassações de mandatos — e espaços ligados à repressão, censura e perseguição política.

“Sem verdade não há justiça. E sem memória a história pode se repetir”, destaca Scalabrin. Segundo ele, a identificação desses locais busca inserir na paisagem urbana referências que permitam à população conhecer e refletir sobre o passado.

Caminhos da Ditadura

A partir desse mapeamento, as entidades pretendem desenvolver o projeto “Caminhos da Ditadura em Passo Fundo”, com visitas guiadas e atividades educativas abertas à comunidade e a escolas.

A proposta é transformar os espaços históricos em instrumentos de aprendizagem. “Queremos promover educação em direitos humanos, para que as pessoas entendam o que aconteceu nesses locais e o significado disso para a democracia”, explica.

Propostas ao poder público

Outra frente de atuação envolve o encaminhamento de demandas ao Legislativo municipal. Entre elas está o pedido para alteração da travessa que leva o nome do General Costa e Silva, uma referência a um dos presidentes do período militar.

Também está sendo proposta a construção de um monumento em homenagem às vítimas da ditadura, ao lado do já existente na Praça Tochetto, que faz menção aos dez anos do golpe militar, existe desde 1974 e homenageia também três ditadores.

“A ideia não é apagar a história, mas ampliar o olhar. Que se construa também um espaço que homenageie aqueles que resistiram e foram vítimas da ditadura”, pontua Scalabrin.

Democracia e memória

Para o representante da Renap, revisitar esse período é fundamental para a preservação democrática. Ele cita episódios recentes da política nacional como alerta para a necessidade de manter viva a memória histórica.

“Sem memória, verdade e justiça não há democracia. Precisamos conhecer o passado para entender o presente e construir um futuro em que os direitos sejam respeitados”, afirma. Segundo ele, durante a ditadura, vereadores foram cassados, partidos proibidos, jornalistas censurados e perseguidos, além de restrições à produção cultural e à atuação de pesquisadores. “Tudo isso precisa ser lembrado para que não se repita”, conclui.

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