Documentos trazem à lembrança do Riograndense Foot Ball Club

Entidade desportiva surgiu através dos ferroviários de Passo Fundo e esteve ativa entre 1925 e 1966. Entre objetos encontrados estão fotos, revistas e até ficha de inscrição de atletas

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Material será encaminhado ao Instituto Histórico de Passo Fundo - Foto: Kleiton Vasconcellos/ ONMaterial será encaminhado ao Instituto Histórico de Passo Fundo - Foto: Kleiton Vasconcellos/ ON
Material será encaminhado ao Instituto Histórico de Passo Fundo - Foto: Kleiton Vasconcellos/ ON
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Houve um tempo em que o futebol era diferente, amador e de intensas recordações. Passo Fundo contava com clubes como Sport Clube Gaúcho, o Grêmio Esportivo Recreativo 14 de Julho e Independente Grêmio Atlético de Amadores. Porém, ao longo de 40 anos existiu outra entidade futebolística na cidade: o Riograndense Foot Ball Club, ativo entre 1925 e 1966.

Agora, 60 anos após a sua extinção, documentos trazem a lembrança do “time dos ferroviários”. São fotos de formações da década de 1940, revistas que narravam a trajetória em vigência do clube e ficha de inscrição de jogadores. Todo o material fazia parte do acervo pessoal de Valentin Viana, ex-jogador do Riograndense, já falecido.

Através do advogado Júlio César Pacheco, a reportagem do Jornal O Nacional teve acesso aos documentos – que serão repassados em definitivo ao Instituto Histórico de Passo Fundo.

O que tem no acervo

São cinco fotos de formações do Riograndense, no período entre as décadas de 1940 e 1950, além de algumas fotos individuais de Valentin vestindo as cores do clube. Em uma das fotos, datada de 1959, aparece o Riograndense campeão citadino de 1959. A formação tinha em cima Cabeça, Valentin, Pedro, Pirata, Rubem, Hugo e Nanico.

Abaixo estavam Jorginho, Aimoré, Orlando, Marcos e Benoni. A foto é um registro da final disputada no Estádio do Gaúcho, localizado então na Vergueiro.

Também constam fichas de inscrição de dois jogadores. Um é o centroavante Célio Ferreira Barbosa, registrado como jogador do Riograndense em 26 de janeiro de 1950.

O outro é o centromédio Argemiro Custódio, que teve seu registro feito em 22 de abril de 1948. Ambos foram inscritos pelo período de dois anos junto à Federação Riograndense de Futebol, na categoria Amador.

Há, no acervo, também um exemplar da Revista dos Esportes. Datada de março de 1956, trazia uma reportagem sobre o cenário do futebol no Interior do Estado, com destaque ao Riograndense, tratado como “agremiação de hierarquia técnica, sobejamente conhecida, granjeando pra si olhares respeitosos de todos aqueles que já tiveram a oportunidade de degladiar-se consigo”. À época, o presidente era Henry Nunes Olsen e o Riograndense vinha de vencer o campeonato municipal em 1940, 1941, 1942 e 1944.

Afinal, que Riograndense é esse?

Conforme o historiador Marco Antônio Damian, havia uma tendência de formação de times de futebol no segmento dos ferroviários, que já ocorria em Cruz Alta (Riograndense), Santa Maria (Riogandense), Porto Alegre (Nacional) e Rio Grande (São Paulo), por exemplo, no dia 8 de agosto de 1925, na residência do ferroviário Leopoldo Ritzel e um grupo de funcionários da Viação Férrea do Rio Grande do Sul foi criado o Riograndense Foot Ball Club, com as cores verde e vermelha.

Em 30 de maio de 1926, o Riograndensde disputou sua primeira partida, contra o Gaúcho e perdeu por 1 x 0. Em 1927 estava filiado à Liga Passo-Fundense de Futebol e disputou seu primeiro campeonato citadino. “Em 1928, alguns jogadores do Gaúcho e do 14 de Julho, inconformados, pois os clubes passaram a se recusar em comprar chuteiras para os jogadores, se transferiram para o Riograndense” conta Damian.

Em 1935, o Riograndense foi pela primeira vez, campeão citadino. A partir de 1940 iniciou a fase de ouro do clube. Foi campeão citadino em 1940, 1941, 1942 e 1944 com um grande time, onde despontavam jogadores de alto nível técnico como Jamegão e o centroavante Célio Barbosa. Em 1941 chegou a fase semifinal do campeonato estadual, perdendo para o Internacional de Porto Alegre, no Estádio dos Eucaliptos, jogando a noite. O Internacional venceu por 7 x 1, pois os jogadores do Riograndense não conseguiam enxergar a bola, conforme relato do centromédio Argemiro Custódio.

Em 1953 o 14 de Julho e o Gaúcho aderiram ao futebol profissional, seguido pelo Riograndense em 1962. Chegou a disputar o campeonato regional da segunda divisão,diante de Glória e Veterano de Carazinho, Ypiranga, 14 de Julho e Atlântico de Erechim, mais o Tagá de Getúlio Vargas, e, eventualmente o Juventude de Guaporé e o Lutador de Estação. Não tinha campo adequado para mandar seus jogos, que eram realizados no Estádio Celso da Cunha Fiori. Seus treinamentos eram realizados em seu estádio, chamado Guilherme Rebechi. Em 1966, encerrou suas atividades. No ano seguinte ainda tentou retornar, treinando no campo do Colégio Conceição, porém, não obteve êxito e aí sim, foi extinto definitivamente.

Em números

De acordo com levantamento obtido pelo jornalista e historiador Lucas Scherer, o Riograndense disputou 368 jogos, com 116 vitórias, 57 empates e 195 derrotas. A maior goleada da história do Rio Grandense: 9 a 0 contra o Veterano na casa do adversário em Carazinho, em um amistoso disputado em outubro de 1939.

O último jogo da história do clube foi em 15 de maio de 1966, um amistoso e vitória de 3x0 sobre o Nacional de Cruz Alta.Fformação que foi a campo no Estádio Celso da Cunha Fiori tinha Nelcy (Miguel); Nene, Alceu, Adenir e Magrão (Beck); Gringo e Paulista; Léo (Eurides), Sílvio (Hélio), Biguá (Laone) e Anselmo. Técnico: Antoninho Rebechi.

Cinco dias depois, o Rio Grandense pediria licenciamento de um ano para a Federação Rio Grandense de Futebol (FRGF), oficialmente "a fim de poder executar as obras que reclamam por conclusão em seu reduto no alto da Vila Petrópolis". Nunca conseguiu voltar.

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