O emblemático prédio da Faculdade de Direito, com frente para a Rua Paissandu, foi derrubado no final de semana. A imensa área, que atravessa a quadra e vai até a Avenida Brasil, foi vendida pela Universidade de Passo Fundo e, agora, receberá um novo empreendimento imobiliário. Além da Faculdade de Direito, o prédio abrigou no porão o antigo Restaurante Universitário – o RU. A fachada, com acabamento em pastilhas cor rosa escura e brancas, constava a inscrição FAC. DE DIREITO. Tinha, ainda, gravado o ano 1967. O primeiro espaço do curso de Direito, no entanto, não foi ali na Paissandu. Antes, ficava na mesma área, porém com entrada pela Avenida Brasil. Em 1973 foi para o atual Campus I da UPF. Anos mais tarde, chegou ao seu quarto e atual prédio, também no Campus I.
Aluno, professor e diretor
Não faltam histórias relacionadas ao prédio. O titular do Registro de Imóveis de Passo Fundo, Luiz Juarez Nogueira de Azevedo, conta algumas. “Fui aluno, professor e diretor da Faculdade de Direito. Quando pensei em cursar direito, pretendia ir para Porto Alegre. Mas meu pai disse: ‘fica aí’, pois éramos vizinhos da Faculdade, morávamos na Brasil número 731. Algumas vezes, para não chegar atrasado, pulava o muro para chegar mais rápido”. O local abrigava as faculdades que viriam formar a Universidade de Passo Fundo, em 1968. Juarez estudou no primeiro prédio (frente para a Brasil) e lecionou no segundo (frente para a Paissandu). “Ingressei juntamente com os professores Dárcio Vieira Marques e Alcione Niederauer Corrêa”.
Tristeza
“Ficou sepultada uma época de conquistas e pioneirismo da Faculdade de Direito. Época Feliz e inesquecível de conquistas e vitórias. A minha geração se sente entristecida ao ver o abandono e as ruínas”, avaliou Juarez Azevedo. Já o professor Dárcio Vieira Marques, que cursou simultaneamente Direito e Economia naquele espaço, lamenta o fim de um prédio histórico. “É uma tristeza, apagando-se a história da nossa Faculdade e pressinto um processo de diminuição patrimonial”.
Presidiários na obra
Dárcio traz uma curiosidade sobre o prédio. “Contou com a mão-de-obra de presidiários. O Dr. Reissoly Santos, diretor da Faculdade de Direito – ainda não existia a Universidade, também era Juiz de Direito. Então ele conseguiu que os presidiários trabalhassem na construção deste prédio que, agora, foi demolido. Lembro que ele acompanhava as obras, e orientava até para o reaproveitamento dos pregos utilizados”, conta.
Protesto em O Nacional
A UPF já existia. Iniciava a construção do Campus no Bairro São José e, em 1973, o Direito foi transferido para lá. “Uma polêmica grande, com apoio de O Nacional, os professores protestaram contra a mudança, com destaque para um artigo do Dr. Carlos Galves”, conta Juarez. E Dárcio lembra a frase de Galves que deu suporte ao movimento. “O Direito é urbano, o Direito não é rural e o advogado não pode sair do seio da sociedade”. Protesto superado, o curso foi para o Campus e, hoje, o atual prédio carrega o nome de Carlos Galves.
Barro e reunião-dançante
Advogados, radialistas e jornalistas, Celestino Meneghini e Guaraci Teixeira foram colegas de turma. Estudaram no prédio da Paissandu e, depois, no então novíssimo Campus. “Foi em 1973, Agronomia e Direito fomos para lá. O prédio da Economia e Administração estava em obras. Era muito frio, não tinha calçamento e o ônibus ia somente até a FNM (Brasil esquina Olavo Bilac)”, conta Meneghini. Já Guaraci Teixeira, recorda as “aulas memoráveis do Dr. Carlos Galves, no piso superior no Salão Nobre. Reunia alunos do Direito e Economia. Eram aulas-palestra”. No térreo do edifício da Paissandu funcionou o Restaurante Universitário. Mas a lembrança é das baladas da época. “Memoráveis reuniões-dançantes no RU, tomávamos Cuba Libre e Gim Tônica. Muitos namoros começaram ali e terminaram em casamento. Inclusive o meu”, diz emocionado Guaraci.



