Passo Fundo Valley fortalecerá ecossistema no Norte do RS

Com investimento de R$ 13 milhões, o distrito de inovação, inaugurado na quarta-feira (20), amplia o UPF Parque e consolida um dos maiores hubs de inovação do interior do Brasil

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Ao todo, foram incorporados mais de 2,9 mil metros quadrados de nova infraestrutura aos 4 mil m² já existentes, totalizando mais de 7 mil m² dedicados à inovação dentro do campus - Foto: KLEITON VASCONCELLOS/ONAo todo, foram incorporados mais de 2,9 mil metros quadrados de nova infraestrutura aos 4 mil m² já existentes, totalizando mais de 7 mil m² dedicados à inovação dentro do campus - Foto: KLEITON VASCONCELLOS/ON
Ao todo, foram incorporados mais de 2,9 mil metros quadrados de nova infraestrutura aos 4 mil m² já existentes, totalizando mais de 7 mil m² dedicados à inovação dentro do campus - Foto: KLEITON VASCONCELLOS/ON
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A Universidade de Passo Fundo (UPF) inaugurou, na noite de quarta-feira (20), o Passo Fundo Valley, distrito de inovação que promete reposicionar o Norte do Rio Grande do Sul no cenário nacional de tecnologia, empreendedorismo e desenvolvimento. Instalado em uma área de 10 hectares no Campus I da universidade, o projeto simboliza a consolidação de Passo Fundo como um dos principais ecossistemas de inovação do Estado — avanço evidenciado pela ascensão do município da 8ª para a 2ª colocação no ranking gaúcho em apenas três anos.

A cerimônia reuniu autoridades, empresários, pesquisadores e lideranças regionais, marcando a entrega de uma obra concluída em menos de um ano.

O Passo Fundo Valley foi concebido para integrar universidade, iniciativa privada e poder público em um ambiente voltado à inovação aplicada. O ecossistema prioriza cinco verticais estratégicas para a região: agronegócio, saúde, indústria criativa, educação e tecnologias da informação e comunicação (TICs).

Investimento e estrutura

O empreendimento recebeu investimento total de R$ 13 milhões, sendo R$ 10 milhões provenientes de edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e R$ 3 milhões de contrapartida da Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF). Com a expansão, o parque amplia em 75% sua área destinada à inovação.

Ao todo, foram incorporados mais de 2,9 mil metros quadrados de nova infraestrutura aos 4 mil m² já existentes, totalizando mais de 7 mil m² dedicados à inovação dentro do campus. O complexo passa a contar com salas corporativas, laboratórios avançados, uma nova incubadora com mais de 500 m², além da Arena UPF Parque — espaço para até 150 pessoas —, coworking, Espaço Collab e Stage Valley.

Segundo o gestor do UPF Parque, Ricardo Fantinelli, o Passo Fundo Valley representa mais do que uma ampliação física. “É a expansão dos ambientes de colaboração, somada a novos projetos estruturantes. Vamos criar mais pontes com a comunidade regional, permitindo que pesquisadores, acadêmicos, empresários e agentes públicos atuem em sinergia para transformar inovação em impacto real, potencializando nossa excelência em pesquisa, extensão e geração de talentos”, destacou.

A reitora da UPF, Bernadete Dalmolin, ressaltou o papel estratégico do investimento público para o fortalecimento do ecossistema regional. “Esse movimento acontece também porque houve uma escolha das prefeituras, do governo do Estado e da União em investir em inovação, ciência e desenvolvimento. Precisamos acelerar aquilo que é essencial para o crescimento econômico, social, cultural e ambiental do país”, afirmou.

Ela também enfatizou o potencial colaborativo do novo espaço. “Temos muitos ativos na região e agora contamos com um ambiente ainda mais qualificado para nos encontrarmos, atuarmos lado a lado e criarmos novas oportunidades. A inovação nasce exatamente dessa sinergia”, completou.

O prefeito Pedro Almeida definiu a inauguração como um momento histórico e um dia de vitória. “Vemos aqui o que se espera das instituições, ou seja, a correta aplicação dos recursos”, afirmou.

Modelo de ocupação transforma investimento em pesquisa

Com a inauguração, os terrenos localizados no entorno do parque já estão disponíveis para empresas de base tecnológica, startups e centros de pesquisa e desenvolvimento. Ao todo, serão ofertados 34 lotes urbanizados, com áreas entre 1 mil e 3 mil metros quadrados, destinados à instalação de unidades próprias de P&D.

O diferencial está no modelo de Direito Real de Uso por 20 anos, prorrogáveis. Nele, até 75% do valor da ocupação do terreno poderá ser convertido em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação realizados em parceria com os laboratórios da universidade.

As empresas instaladas também terão acesso a incentivos fiscais previstos na legislação municipal e ao sandbox regulatório municipal.

Outro atrativo é a integração com a Rede Analítica UPF Multi, estrutura que reúne mais de 210 laboratórios especializados compartilhados, permitindo às empresas realizarem ensaios e validações sem a necessidade de montar laboratórios próprios.

De acordo com dados apresentados pela universidade, as interações entre academia e mercado movimentaram R$ 4,2 milhões em negociações no último ciclo. Atualmente, a FUPF possui 100 ativos de propriedade intelectual vigentes e mais de 150 títulos protegidos.

Empresas

Durante o lançamento, quatro empresas assinaram protocolos de intenção para ocupar áreas no distrito: Stara, Grupo Fotosul, Tetrix Construção Inteligente e Semiocrop.

Representando as empresas participantes, o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Stara, Cristiano Paim Buss, destacou a importância da aproximação entre indústria e universidade.

“Nosso dever é estar dentro da universidade. Hoje, um terço dos profissionais do nosso centro de pesquisa nasceu do espaço que temos aqui no UPF Parque. A máquina que está aqui ao lado está presente em 35 países e nasceu aqui dentro. Isso é criar valor. A carta assinada hoje não representa apenas uma intenção, mas um compromisso com o futuro — e esse futuro começa aqui, no Passo Fundo Valley”, afirmou.

O UPF Parque

No último ciclo, o UPF Parque contou com 50 empresas e instituições vinculadas, sendo 17 empresas-âncora, 16 associadas, 11 startups associadas e sete incubadas, totalizando 80 postos de trabalho diretos. Estão em estruturação o Living Lab, o Atlas Discovery e a expansão do TecnoAgro.

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