Projeto de Lei transforma Romaria de Nossa Senhora Aparecida em Patrimônio Cultural Imaterial

Movimentação religiosa no segundo domingo de outubro costuma reunir mais de 100 mil devotos

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Projeto teve aprovação unânime dos vereadores durante sessão de segunda-feira - Foto: Arquivo/ON Projeto teve aprovação unânime dos vereadores durante sessão de segunda-feira - Foto: Arquivo/ON
Projeto teve aprovação unânime dos vereadores durante sessão de segunda-feira - Foto: Arquivo/ON
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A Romaria de Nossa Senhora Aparecida, uma das mais tradicionais manifestações religiosas e populares do Norte do Rio Grande do Sul, agora faz parte oficialmente do Patrimônio Cultural Imaterial de Passo Fundo. A aprovação unânime da Câmara de Vereadores reconhece não apenas a dimensão religiosa do evento, mas também sua relevância histórica, social e cultural para a identidade do município.

A proposição, apresentada pela vereadora Eva Valéria Lorenzato, na sessão de segunda-feira (25) valoriza uma trajetória iniciada ainda no começo da década de 1980, quando padres da então Diocese de Passo Fundo idealizaram um movimento de fé em homenagem à padroeira do Brasil. Em 1981, ocorreu a primeira edição da Romaria Diocesana de Nossa Senhora Aparecida, reunindo fiéis em um percurso de cerca de um quilômetro. O que começou de forma simples transformou-se, ao longo das décadas, em uma das maiores romarias do país.

Hoje, a celebração reúne milhares de pessoas vindas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul e até de outros estados, consolidando-se como um dos símbolos mais fortes da religiosidade popular e da cultura passo-fundense.

Reconhecimento ultrapassa a dimensão religiosa

Para o reitor do Santuário Nossa Senhora Aparecida, padre Daniel Rodrigo Feltes, o reconhecimento representa um marco histórico para a cidade e para a própria trajetória do santuário. Segundo ele, a Romaria está profundamente ligada à história do Seminário Nossa Senhora Aparecida, que em 2027 completará 50 anos de inauguração.

O sacerdote relembra que a devoção à Nossa Senhora Aparecida foi incentivada desde a criação do seminário e que, aos poucos, as celebrações religiosas deram origem à procissão e ao grande movimento popular que hoje caracteriza a Romaria. “O reconhecimento demonstra que um povo não é constituído apenas de elementos materiais, mas também daquilo que possui significado simbólico para sua população”, destaca.

Padre Daniel enfatiza ainda que, embora tenha origem na Igreja Católica, a Romaria transcendeu os limites da religião e tornou-se um patrimônio afetivo da cidade. Durante a votação do projeto, vereadores de diferentes crenças manifestaram apoio à proposta, reforçando o entendimento de que o evento faz parte da identidade cultural do município.

Ele compara a Romaria a outros grandes movimentos culturais de Passo Fundo, como o Festival do Folclore e a Jornada de Literatura, eventos que marcaram a história da cidade, ressaltando que a celebração também se tornou um elemento de pertencimento coletivo.

Uma manifestação que mobiliza multidões

Popularmente reconhecida como a segunda maior Romaria em honra à Nossa Senhora Aparecida do Brasil, a celebração já reuniu, em alguns anos, mais de 200 mil pessoas no entorno do santuário. Mesmo após a pandemia, quando houve redução do público concentrado em um único dia, o movimento segue mobilizando milhares de fiéis ao longo de todo o mês de outubro.

De acordo com o reitor do santuário, a Romaria não se resume apenas ao segundo domingo de outubro, data oficial do evento arquidiocesano. O espaço religioso recebe visitantes diariamente, funcionando como local permanente de oração, reflexão e acolhimento. “O santuário está aberto durante todo o ano. Muitas pessoas frequentam o espaço diariamente para expressar sua fé, fazer orações ou simplesmente buscar um momento de paz”, observa.

Em 2026, a Romaria chegará à sua 45ª edição. A organização dos preparativos já está em andamento e envolve um amplo trabalho coletivo. De acordo com o padre Daniel, mais de 300 voluntários atuam diretamente durante os dias de celebração, além de dezenas de colaboradores que auxiliam antes e depois do evento.

Patrimônio da cultura popular

Autora da proposta aprovada no Legislativo, a vereadora Eva Valéria Lorenzato afirma que o reconhecimento oficial fortalece a preservação de uma tradição construída coletivamente pela população ao longo de mais de quatro décadas.

Para ela, a Romaria representa um dos maiores encontros de fé e cultura popular do município. “A aprovação demonstra a importância que esse evento possui para Passo Fundo. É um momento de encontro das famílias, de devoção, de agradecimento e também de esperança”, afirma.

Voluntária da Romaria há muitos anos, Eva relata que acompanhar a chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida ao santuário é uma das experiências mais marcantes da celebração. “A fé do povo impressiona. São pessoas agradecendo graças alcançadas e buscando força para enfrentar as dificuldades da vida”, relata.

A parlamentar também destaca que a Romaria nasceu de forma simples, a partir da iniciativa de padres e moradores da comunidade, e se transformou em um dos maiores eventos religiosos do Sul do Brasil.

Fé, diversidade e desenvolvimento

Outro aspecto ressaltado durante a aprovação do projeto foi o caráter plural da Romaria. Apesar da origem católica, o evento reúne pessoas de diferentes crenças e religiões, sendo reconhecido como um símbolo cultural da cidade. Segundo Eva, a unanimidade da votação demonstra justamente esse entendimento coletivo. “Ela supera qualquer limite religioso. Pessoas das mais diferentes religiosidades participam da Romaria e reconhecem sua importância cultural e humana”, afirma.

A vereadora também defende que o reconhecimento como patrimônio imaterial amplia a responsabilidade do poder público na preservação e qualificação do evento. Entre os pontos destacados estão a necessidade de segurança, infraestrutura e suporte ao longo do trajeto percorrido pelos romeiros.

Além do aspecto espiritual, a Romaria também movimenta a economia local. Pequenos empreendedores, feiras populares e iniciativas de economia solidária encontram no evento uma oportunidade de geração de renda e fortalecimento comunitário. “É um patrimônio religioso, histórico e cultural construído pelo próprio povo, que foi crescendo e se fortalecendo ao longo do tempo”, conclui.

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