Bullying foi debatido por futuros profissionais da saúde

A atividade ocorreu no Auditório Biomédico da FM e contou a participação de estudantes de Medicina e de outros cursos da área da saúde, além de pessoas da comunidade.

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Bullying foi o assunto abordado na primeira atividade de 2013 do Ciclo de Palestras da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo (FM/UPF), realizada na noite de terça-feira, 12 de março. O debate, inititulado Bullying – visão multiprofissional, contou com a participação do professor da FM Edson Machado Cechin, da coordenadora do curso de Psicologia Maristela Piva e do juiz da vara regional da Infância e Juventude de Passo Fundo e professor da Faculdade de Direito Dalmir Franklin de Oliveira Junior. A atividade ocorreu no Auditório Biomédico da FM e contou a participação de estudantes de Medicina e de outros cursos da área da saúde, além de pessoas da comunidade.

O diretor da FM, Adroaldo Mallmann, ressaltou que o Ciclo de Palestras tem como função complementar a formação dos estudantes. “A cada edição, percebemos a participação de um maior número de acadêmicos, o que demonstra interesse em questões além da sala de aula”, avaliou. O coordenador de Extensão da FM, Cláudio Joaquim Paiva Wagner, coordenou o debate, e afirmou que a temática vem interferindo na sociedade, por isso, cabe a discussão do que é bullying, como é e suas consequências.

O que é considerado bullying?
O conceito de bullying foi apresentado pelo professor Cechin, que abriu o debate. “O bullying está presente quando há comportamentos agressivos praticados no âmbito escolar, cometidos tanto com meninos quanto com meninas, tais como humilhações, exclusões, apelidos, violência física, discriminação, chantagem, intimidações e difamações”, explicou. As consequências disso, segundo o professor, podem não ser somente aquelas que aparecem imediatamente após a situação. “Há vítimas que sofrem de estresse crônico, que pode resultar em alterações no cérebro, nas áreas emocionais e comportamentais”, afirmou.

Para a professora Maristela, bullying é uma questão interdisciplinar, por isso é importante que os diferentes profissionais em formação estejam bem informados. “O médico, por exemplo, como profissional da saúde, cada vez mais tem essa visão humana das coisas e de como intervir, não só na questão da sintomatologia, mas de pensar as questões coletivas”, considerou. A professora explicou que hoje, a imagem é supervalorizada, e quem não se enquadra no padrão esperado, acaba sofrendo críticas. “Não se pode julgar pela aparência. Pessoas diferentes têm a missão de ensinar o respeito, a tolerância e o aprendizado”, observou.

Oliveira Junior também ressaltou a transversalidade do tema, que por envolver tantas áreas do conhecimento e acontecer em uma sociedade complexa, precisa de respostas também complexas. De acordo com o juiz, o conceito de bullying ainda não foi apropriado pela lei, de forma que não há uma lei federal que o defina. “Temos algumas legislações estaduais, mas elas não dão a extensão toda do fenômeno, com responsabilização e punição. Determinados atos de bullying podem ser enquadrados como ilícitos, com responsabilidades no nível civil, de indenização, e pode eventualmente haver a responsabilização penal, se for algum tipo de crime”, explicou.

O Ciclo de Palestras da Faculdade de Medicina ocorre sempre nas segundas terças-feiras de cada mês, na FM, e tem como objetivo complementar a formação curricular dos acadêmicos.

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