Professor passo-fundense acompanha terror em Bruxelas

André Agostini está há mais de duas semanas na capital belga para visitar a filha e participar de cursos

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Duas fortes explosões provocaram mortes no aeroporto internacional de Bruxelas, na BélgicaDuas fortes explosões provocaram mortes no aeroporto internacional de Bruxelas, na Bélgica
Duas fortes explosões provocaram mortes no aeroporto internacional de Bruxelas, na Bélgica
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“É muito mais que um susto. A sensação de conviver com o terror é algo aterrorizante. Vou levar para o resto dos meus dias a triste experiência que vivi aqui”. O relato emocionado feito pelo professor e passo-fundense, André Agostini, que está em Bruxelas, descreve o clima de medo que tomou conta da capital belga, após os dois atentados na manhã de ontem. O balanço provisório das autoridades apontava para pelo menos 34 mortos e 187 feridos nas explosões no aeroporto de Zaventem e no metrô de Maelbeek.

Em Bruxelas há pouco mais de duas semanas, Agostini viajou para visitar a filha, que realiza doutorado naquele país, e também cursar aulas de francês e história da arte. Na manhã de ontem, os dois ainda estavam no apartamento se preparando para sair, quando chegaram as primeiras informações sobre os atentados. “Minha filha começou a receber mensagens das amigas e a trocar informações. Foi informada de que a universidade estava fechada e que não haveria aula. Logo em seguida, a Embaixada Brasileira emitiu um alerta orientando que ela não saísse de casa” relatou em entrevista ao ON, ontem à tarde, pelo telefone.

Agostini e a filha não chegaram a ouvir as explosões, mas ele informou que o metrô Maelbeek, onde pelo menos 15 pessoas morreram, está localizado apenas a 200 metros do local onde estuda. “ Este metrô fica a uma estação de onde eu costumo desembarcar” revela. Logo após as explosões a cidade parou por completo. Pela janela do apartamento, o professor conseguia visualizar poucas pessoas caminhando na rua. “O clima de tristeza tomou conta. A sensação é de pavor, impotência. A gente fica completamente impotente diante de uma situação como esta. Passamos o dia trancados. É perturbador ter a liberdade invadida desta forma” desabafou. O professor pretende manter a programação e seguir na capital belga, ao lado da filha, pelo período de um mês.

Para tranquilizar familiares e amigos, Agostini postou logo cedo, em sua página do facebook a seguinte mensagem: “Bom dia! OS RAIOS DO TERROR EM BRUXELAS fulminam e rasgam as nuvens da paz e da esperança e da graça e da ternura e da vida !!! DUAS BOMBAS, duas explosões, muitos mortos e feridos! Ó aeroporto e a estação do metrô de Maelbeek! Aos amigos e amigas, informo que eu e Manuela Rösing Agostini, estamos bem e seguindo as recomendações de segurança da embaixada brasileira! Com a soma de todos os afetos, abraços afetuosos e graças à vida”.

 

Autoridades fazem levantamento do número de vítimas

Pelo menos 34 pessoas morreram e 187 ficaram feridas nos atentados de ontem em Bruxelas, mostra o balanço provisório das autoridades.Segundo dados divulgados pela ministra da Saúde belga, Maggie de Block, 14 pessoas morreram nas duas explosões ocorridas no aeroporto e, segundo o Ministério da Justiça, 81 ficaram feridas. O grupo terrorista Estado Islâmico já reivindicou a autoria dos atentados.
De acordo com informações da empresa que administra o metrô, a Stib, 20 pessoas morreram na estação do metrô e 106 ficaram feridas, 17 em estado grave.O balanço anterior da Stib era de 55 feridos na estação do metrô, 10 em estado grave.Duas explosões foram registradas de manhã no aeroporto de Zaventem e uma terceira, cerca de uma hora mais tarde, na estação do metrô de Maelbeek, perto das instituições europeias.

Central Nuclear
A central nuclear belga de Tihange foi evacuada ontem, disse a polícia à agência noticiosa belga. A medida foi tomada na sequência dos atentados ocorridos hoje de manhã no aeroporto internacional de Zaventem e na estação de metrô de Maalbeek, no “bairro europeu” da capital belga, que causaram 34 mortos e perto de duas centenas de feridos. Anteriormente, a agência havia anunciado que as forças de segurança aumentaram o nível de segurança nas instalações nucleares em todo o país.

Estados Unidos
Os Estados Unidos reforçaram ontem a segurança nos principais aeroportos e linhas de metrô após os atentados em Bruxelas, que causaram pelo menos 26 mortos e mais de uma centena de feridos.Em Washington, as autoridades do metrô informaram, na rede social Twitter, que não existe qualquer ameaça específica ou crível. No entanto, como medida de precaução, enviaram patrulhas adicionais e aumentaram os efetivos que fazem inspeções com cães treinados para detectar explosivos e drogas. A segurança também foi reforçada nos aeroportos de Nova Yorque e New Jersey, assim como no World Trade Center de Nova Yorque.

Papa condena 'violência cega'
O papa Francisco condenou "a violência cega que causa tanto sofrimento", numa mensagem de condolências na sequência dos atentados terroristas no aeroporto e no metrô de Bruxelas. O papa "condena novamente a violência cega que causa tanto sofrimento e pede a Deus a dádiva da paz", escreveu, em nome do papa, o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, num telegrama enviado ao arcebispo de Bruxelas, Jozef De Kesel.

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