A sexta-feira (11) foi marcada por protestos. Em todo o Brasil diversas categorias paralisaram suas atividades em um movimento convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, com apoio de movimentos sociais que compõem as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e várias entidades da sociedade civil que têm se posicionado contra a retirada de direitos.
Em Passo Fundo, a mobilização tomou conta das ruas centrais desde o início da manhã. Entidades representativas de diferentes categorias, entre elas agricultores, professores e trabalhadores em geral, policiais civis, movimentos sociais, estudantes e indígenas se manifestaram contra as medidas adotadas pelo governo federal nas áreas da saúde, educação, direitos trabalhistas e previdenciários e ainda relacionadas à exploração do petróleo no pré-sal. Ainda na madrugada, manifestantes impediram a saída dos coletivos urbanos das garagens das empresas.
O ato principal teve início na Praça Tochetto e passou por locais como o Fórum de Passo Fundo, a Justiça do Trabalho e a agência do INSS. Ao longo do trajeto, que passou pela Avenida Brasil e outras ruas da área central, houve alguns pontos em que o trânsito chegou a ficar interrompido. À tarde, os trabalhadores se concentraram na Praça do Teixeirinha. Nos pronunciamentos as manifestações eram contrárias às PECs 55 e 241, reivindicavam ainda contra as mudanças dos critérios de aposentadoria, contra a falta de investimentos em saúde e educação e a precarização dos serviços e empresas públicos.
De acordo com a Coordenadora Geral da Federação de Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS), Cleonice Back, a mobilização reuniu em torno de 1.500 pessoas representantes de todas as categorias de trabalhadores urbanos e também ligados à agricultura familiar que estão preocupados com a pauta que está em discussão. No caso dos agricultores, a principal preocupação é em relação à questão da reforma previdenciária e à PEC 241. “Eu acho que são as grandes preocupações de toda a classe trabalhadora. Por isso, a nossa mobilização foi muito positiva porque conseguimos reunir muitas categorias e trabalhar essa questão da unidade da luta dos trabalhadores do campo e da cidade”, destacou. Ainda segundo Cleonice, o encerramento da mobilização teve como foco a continuação da luta e da resistência. “Todos que participaram desse ato assumiram o compromisso de voltar para a luta quando fosse necessário. Nosso próximo passo agora é, a partir dos movimentos do governo, ir pensando as novas ações, as novas lutas, as novas mobilizações”, comentou.
Quem também avaliou como positivo o dia de mobilizações foi o Dirigente do Centro Municipal de Professores de Passo Fundo (CMP), Eduardo Albuquerque. “Hoje nós demos uma demonstração de que nós estamos atentos. Conseguimos mobilizar mais de 40 escolas e isso é muito significativo”, ressaltou.
Segundo Albuquerque, um novo momento de luta e, possivelmente, de mobilização nacional está marcado para os dias 24 e 25 de novembro, mas, a princípio, ainda não se fala em greve. “Tudo é um jogo em que nós vamos percebendo os movimentos que se fazem na Câmara de Deputados e no Senado e, a partir daí, nós tomamos as iniciativas. Tudo é possível nesse contexto. Em princípio, hoje, optamos por uma paralisação temporária, de 24 horas, mas possivelmente o movimento cresça e se faça uma greve maior, com maiores proporções, mas por enquanto ainda não existe nada determinado”, finalizou.
Categorias se unem em ato
Passo Fundo integrou movimento nacional contra medidas do governo Temer
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